Guerra de vaidades

Um problema comum que as empresas enfrentam ao colocar para dentro de casa os chamados trainees é a desconfiança dos outros funcionários -aqueles mais antigos que nunca foram denominados como gênios ou diferentes na companhia. É preciso saber como apresentar os jovens para o restante da turma, antes que o clima da empresa comece a dar sinais de desgaste.

A ALL, empresa que mantém programas de trainees há seis anos, já viveu esse drama nas suas primeiras tentativas de integrar os jovens e a ala antiga da casa. “Havia um estigma muito grande de que os trainees jamais seriam demitidos”, diz Valéria de Paula Ribeiro, gerente de desenvolvimento de gente e gestão da ALL. “Ao longo do tempo os funcionários perceberam que o trainee só vai ter oportunidades se der resultado. Ao contrário, vai ser demitido como qualquer outro profissional.”

Antes de apresentar os meninos e meninas recém-formados para a turma da velha guarda, é bom explicar o que a empresa pretende com esse programa e quais os planos para esse novo pessoal. Vale também assegurar que ninguém corre o risco de perder emprego só porque a empresa está formando novos talentos. “Antes de recrutar é preciso treinar os próprios funcionários da empresa”, diz Rosa Bernhoeft, da Alba, consultoria de recursos humanos. “Ao contrário, eles podem ver nesses jovens uma ameaça e não permitirem que os trainees inovem, empacando seu crescimento.”

Um bom caminho para que a integração seja a melhor possível é valorizar os funcionários, sinalizando que eles também são parte estratégica do programa. Afinal, cabe a cada gestor passar o conhecimento técnico e mostrar como as coisas funcionam na empresa. O sucesso de um programa de trainees vai depender (e muito) da boa relação entre os jovens e os profissionais mais experientes.