Todos querem ser como Google, melhor empresa para trabalhar

Empresa foi eleita a melhor para trabalhar em 2013 no levantamento da revista VOCÊ S/A

São Paulo – Ao visitar a sede brasileira do Google em São Paulo e conversar com um grupo de funcionários, fica fácil entender por que tantas companhias mundo afora tentam imitar sua gestão de pessoas e incorporar um pouco de sua cultura — e tão poucas conseguem.

Na melhor empresa para trabalhar de 2013, tudo funciona a favor da criatividade, da produtividade e, sim, da felicidade do funcionário. A começar pelas instalações de trabalho, localizadas num prédio ecologicamente correto e inteligente no coração da Faria Lima, uma das regiões mais nobres da cidade.

Nos três andares ocupados pela empresa, os espaços se tornam mais interessantes a cada lance de escada. as áreas de descanso e lazer seguem o padrão de bem-estar mundialmente conhecido (e copiado): salas de jogos e entretenimento, cantos com poltronas, pufes e redes para um rápido cochilo e estúdio com instrumentos musicais para que os aspirantes a músico possam ensaiar nas horas vagas.

Cada um dos ambientes tem uma decoração especial, inspirada em vários pontos típicos da capital paulista, como a rua Oscar Freire, o bairro do Bexiga e o Museu de Arte de São Paulo (Masp). No refeitório, os googlers, como são chamados os funcionários, podem tomar café da manhã, almoçar e jantar diante de uma agradável vista do terraço.

A qualquer hora do dia, também é possível ir às áreas onde são servidos lanches, que mais parecem feiras de alimentos saudáveis. As refeições são gratuitas e não há limite de quantidade para consumo. Esses espaços foram planejados para proporcionar momentos de interação mas também servem para fazer reuniões de trabalho mais descontraídas.

Para estreitar o relacionamento entre os funcionários, as equipes recebem verbas específicas para sair juntas depois do expediente. Sim, é como uma ajudinha para a happy hour da turma. Além de unir o time, a ideia é derrubar possíveis barreiras hierárquicas, algo que a empresa parece abominar.


O pacote de benefícios é idêntico para profissionais de todos os níveis, o que faz com que o presidente e o estagiário tenham o mesmo plano de saúde. O ambiente descontraído não é o único responsável pelo incentivo à criatividade. A diversidade nas equipes é estimulada com a intenção de aumentar o volume de troca de ideias.

O Google também convida palestrantes para falar sobre qualquer assunto que não seja negócio e dá a cada funcionário uma cota anual de 16.000 reais para estudar — 20% do valor pode ser destinado a qualquer curso, como o de violão, para aumentar o repertório cultural. Experiências no exterior também são valorizadas.  Quando ocorrem pedidos de expatriação,a chance de ser atendidos é grande.

Primeiro, porque a empresa já nasceu internacional e não há barreiras que impeçam a mobilidade. Segundo, porque o banco de vagas global fica disponível na intranet e qualquer pessoa tem o direito de se candidatar. Os gestores têm papel importante não só na hora de orientar quem quer aprimorar conhecimentos fora do Brasil como também para ajudar a guiar a carreira dos que ficam.

“O programa de recrutamento interno é bem estruturado, e nós treinamos os líderes para se aliarem aos subordinados nesse processo, pois entendemos que os talentos não são contratados para uma área específica, mas, sim, para o Google”, afirma Monica Santos, diretora de RH.

Escolhidos em processos seletivos exigentes, os funcionários do Google costumam ter bom desempenho, o que contribui para um ambiente bastante competitivo — mas “justo”, na visão do time. Autonomia e meritocracia são palavras muito repetidas por ali e, na opinião dos empregados, cabe a cada um escolher o direcionamento de sua carreira e a velocidade com que deseja ser promovido.

As cobranças levam em consideração a qualidade dos resultados entregues, e não a quantidade de horas cumpridas no escritório ou em casa. E o RH oferece todas as ferramentas necessárias para o desenvolvimento profssional, como avaliação 360 graus, coaching, treinamentos internos e externos e programas de mentorado global, para orientar os funcionários a pensar em uma carreira ilimitada.

Além das oportunidades reais de desenvolvimento, o fato de o Google.com ter virado uma espécie de guru na vida de qualquer pessoa com acesso à internet torna agradável a sensação de fazer parte da companhia. Ações de cidadania e sustentabilidade também contribuem para um sentimento de dever cumprido entre os googlers.

Todos têm direito a estacionamento gratuito, mas quem opta por andar ou pedalar até o trabalho ganha pontos, revertidos em doações a instituições assistencialistas. Uma vez por ano, funcionários do mundo inteiro tiram um dia de expediente para fazer trabalho voluntário em comunidades carentes. Os que se interessam por continuar a filantropia recebem 50 dólares para cada 5 horas extras em trabalho beneficiente.

E muitos incorporam à rotina as ações iniciadas por incentivo do trabalho. Os valores corporativos são tão assimilados que, no Google, ninguém tem um emprego, mas, sim, um estilo de vida. 

Ponto(s) positivo(s) Ponto(s) a melhorar
Licença-maternidade de seis meses e paternidade de um mês e subsídio para pagar desde academia e psicólogo até manicure e internet. Entre as poucas reclamações dos funcionários, chama a atenção a falta de planejamento para as mudanças, que acontecem de forma muito rápida.