Faturando com as letras

A maior inserção das empresas brasileiras no mundo aumenta a procura por tradutores especializados. A remuneração mensal chega a 15.000 reais

São Paulo – O mercado de tradução está aquecido no país, principalmente em função das oportunidades de negócios nas áreas de transporte, TI, telecomunicações, energia e pré-sal. As companhias buscam posicionamento no exterior com a tradução de seus websites e com a conversão para idiomas estrageiros de contratos e documentos nas mais diferentes áreas de conhecimento.

O Brasil também tem sediado mais congressos e seminários internacionais, ocupando o 7º lugar no ranking da Associação Internacional de Congressos e Convenções. Os principais idiomas ainda são o inglês e o espanhol, somando 60% da demanda. Em seguida, estão o alemão e o francês. Esse movimento tem gerado maior procura das companhias por tradutores especializados.   

A faixa de salário de um profissional da área depende de sua capacidade de produção. Os tradutores recebem por lauda (1.200 caracteres sem espaço e 25 linhas) e quanto mais produzem mais ganham.

Um profissional experiente pode produzir de 80 a 100 laudas por mês (trabalhando de oito a dez horas por dia útil) e pode lucrar ainda mais caso se especialize em alguma área técnica, como a jurídica, ou na conversão de idiomas raros, como o árabe. Os contratados, inicialmente, recebem 2.500 reais.

Os já posicionados no mercado e com maior bagagem de conhecimento podem montar sua rede de contatos, trabalhando como freelance, chegando a ganhar até 15.000 reais por mês. 

É importante ter um bom conhecimento da língua-meta e a da língua-fonte, como se diz no jargão do meio. “Apesar de não ser estritamente necessário, é desejável ter uma formação universitária na área de tradução”, diz Paulo Henriques Britto, professor de letras da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro.

Apesar de a profissão não ser regulamentada, os aspirantes podem buscar informações sobre a área no Sindicato Nacional de Tradutores (Sintra), criado em 1988. Com sede no Rio de Janeiro e nenhuma filial nos outros estados, o órgão conta hoje com 400 filiados. Não há a exigência de diploma ou curso superior para se tornar tradutor. Porém, os departamentos de RH das empresas fazem diversos testes para comprovar a fluência e o conhecimento do candidato, não valendo a fórmula mágica dos tradutores online.