EXAME lança pesquisa “Executivos do Brasil”

O mais completo raio-x da vida dos executivos brasileiros marca o início das comemorações dos 40 anos da revista

A Revista EXAME lançou nesta quarta-feira (21/3) a pesquisa “Executivos do Brasil”, o maior estudo já publicado sobre os profissionais que estão na linha de frente das empresas brasileiras (clique aqui para ver o estudo). O levantamento exclusivo, feito pelo instituto Ipsos Marplan, estará na revista EXAME que circula a partir de amanhã e mostra que os executivos brasileiros trabalham demais, sentem-se pressionados e mal vêem a família, mas mesmo assim se consideram felizes e não sonham com o dia da aposentadoria. “A pesquisa foi a forma interessante de começarmos a comemorar os 40 anos da EXAME”, disse a diretora de Redação, Cláudia Vassallo, durante a apresentação do levantamento em um hotel de São Paulo.

Segundo a pesquisa, 91% dos executivos se dizem felizes. Entre as mulheres e os executivos entre 25 a 34 anos esse índice alcança 100%. Os percentuais são bem superiores à média brasileira, de 76%, de acordo com pesquisa realizada no ano passado pelo Datafolha. “Não há contradição entre pressão, estresse e ser feliz. Felicidade não é tédio, não é estar tranqüilo. Se fosse, felicidade seria Lexotan, e não ter uma vida interessante”, explica o psicanalista e escritor Contardo Calligaris, que participou do debate de lançamento. Já Alexandre Caldini, diretor superintendente de EXAME, disse que no começo duvidava que os executivos falavam a verdade ao afirmarem serem felizes. “Mas 70% dizem que fariam tudo igual se pudessem começar a carreira de novo”, afirmou.

A pesquisa também mostra que 78% dos executivos brasileiros são homens, mas deixa sinais de que há uma mudança em andamento. O primeiro deles é que o índice de mulheres que substituem os executivos que se aposentam é bem maior. Além disso, Bia Aydar, sócia e presidente da MPM Propaganda, lembra que no mundo todo as mulheres ainda ocupam apenas 4% dos postos de comando. Se depender da vontade de se aposentar dos executivos, entretanto, essa mudança não será rápida. A pesquisa mostra que daqui a dez anos 47% dos executivos querem trabalhar na mesma empresa e na mesma área onde atuam hoje. Presidentes, diretores e gerentes buscam igualmente crescer nas carreiras. E 86% acham que, quanto maior o desafio, maior é o prazer de superá-lo.

Para chegar lá os executivos se esforçam. Em média, trabalham 10 horas e 58 minutos por dia. Eles percebem que a carga horária média das empresas tem crescido, mas não se dão conta de que trabalham tanto. A pesquisa mostra que os executivos acham que trabalham durante 47% do tempo em que estão acordados. Outras respostas, entretanto, levaram os pesquisadores a concluir que na verdade a jornada de trabalho consome 67% do dia. “A maior riqueza do executivo é o tempo”, disse Luiz Carlos Cavalcanti, diretor de Marketing do Bradesco. “É importante a organização respeitar a hora que o executivo tem que ir para casa, isso é muito mais importante do que instalar uma academia na empresa ou liberá-lo para fazer uma massagem.”

Quando chega o final de semana, entretanto, a maioria dos executivos prefere ficar em casa, onde passam tempo com a família, navegam na internet, cozinham ou cuidam das plantas. “É a necessidade de o cara ficar na toca depois de passar uma semana muitas vezes longe e sem tempo para a família”, explica Contardo Calligaris. Essa necessidade também aparece quando os executivos são perguntados sobre suas maiores aspirações. Segundo a pesquisa, o maior sonho de executivos é poder propiciar a realização dos filhos. Ter tranqüilidade financeira aparece apenas como o quarto objetivo buscado pelos executivos.