Este tipo específico de intercâmbio está ganhando mais e mais adeptos

Para jovens com perfil empreendedor e aventureiro, a AIESEC oferece uma oportunidade diferente de intercâmbio

São Paulo – Entre seu grande valor histórico e turístico, a Grécia não é o primeiro lugar que vem a mente na hora de planejar uma carreira internacional. E trabalhar em uma startup no exterior também não é comum para um intercâmbio durante a faculdade.

Mas esse foi o caminho que levou Juliane Biazon, de 21 anos, para Atenas no começo de seu último ano na graduação de Relações Internacionais na ESPM.

A estudante procurava uma oportunidade para aprender na prática sobre negócios e marketing aplicados à sua área e testar sua escolha de carreira antes de sair da universidade.

Ela encontrou a vaga perfeita no programa de intercâmbio da AIESEC, a “Association Internationale des Étudiants en Sciences Economiques et Commerciales”, que, fundada em 1948, se propõem a desenvolver a liderança entre jovens por meio de trocas culturais e profissionais.

Desde 2016, eles promovem um novo tipo de intercâmbio de curta duração que promove a imersão de estudantes em startups, garantindo um aprendizado único para a carreira.

Segundo Rodolfo Messias Lessa, presidente da AIESEC no Brasil, a nova modalidade surgiu a partir da percepção que o movimento de startups veio para ficar no cenário global de trabalho.

Neste ano, a organização espera que mais 900 jovens façam o intercâmbio empreendedor até o fim de 2018. E, até o meio de 2019, preveem também receber jovens do mundo todo em mais de 500 startups no Brasil.

“Nosso grande propósito é o desenvolvimento de liderança entre os jovens, usando os modelos de intercâmbio para aprender mais sobre si mesmo, mais sobre suas paixões, se conectarem mais e verem o impacto que podem ter”, comenta Lessa.

Após 8 semanas trabalhando na startup Financial Arena, Juliane conta que tem mais clareza sobre o trajeto que quer seguir após a faculdade. No final, ela sentou com o presidente da empresa e teve um feedback completo do seu trabalho, ressaltando pontos fortes e fracos, no que ela é boa e o que pode melhorar.

“Foi muito válido não só pelo lado profissional, mas pelo pessoal. Fiquei na casa de uma estudante de lá. Ela fazia o mesmo curso que eu, tinha minha idade e interesses parecidos. Conheci várias pessoas e ela me levou aos pontos turísticos. Aprendi muito sobre o país, sua cultura e o estilo de vida lá”, fala ela.

Segundo o presidente da AIESEC no Brasil, os intercambistas que procuram a ONG têm um perfil aventureiro e empreendedor, costumam estudar nas áreas de TI, administração, publicidade e marketing e buscam seu primeiro contato com o mercado de trabalho.

“Eles querem algo além, buscam viver uma experiência 100%, não apenas por uma segurança no trabalho. São jovens que querem trazer mudanças mais impactantes”, explica ele.

Quer fazer também?

Uma vantagem desse intercâmbio é ter uma seleção simples e sem complicações. Ao encontrar a vaga ideal, Juliane apenas mandou seu currículo para a sede em Atenas da AIESEC. Depois, foi entrevistada pelo presidente da startup e, em pouco tempo, foi aceita e estava indo para a Grécia.

Hoje, o Brasil é o país que mais recebe e envia intercambistas pela rede da AIESEC. Os escritórios da organização pelo mundo fazem o contato entre si e com as empresas para receber os candidatos.

Não existe pré-requisito para se inscrever no programa. Cada startup apresenta suas necessidades, como conhecimentos básicos em mídias sociais ou de línguas, similares ao de um estágio, mas que independem de um curso específico. As inscrições podem ser feitas pelo site.

Ao ser selecionado, é necessário pagar uma taxa para a AIESEC de R$1.790,00, preço que pode variar de acordo com o destino. O “estágio” não é remunerado, mas possui benefícios comuns, como auxílio para alimentação e transporte. Os estudantes ficam na casa de “hosts” locais, sem precisar pagar aluguel.