Este é o tema mais complexo de concordância verbal, diz professor

"Não é certo os eleitores venderem o voto" ou "Não é certo os eleitores vender o voto"? Professor Diogo Arrais explica qual é a regra

Em se tratando de concordância verbal, a parte mais complexa ocorre com o infinitivo. A fim de simplificar a regra, trago-lhes duas sentenças:

I. “Não é correto eleitores vender o voto.”
II. “Não é correto eleitores venderem o voto.”

Quando o infinitivo tem o seu próprio sujeito, diferente do sujeito da oração principal, o infinitivo deve ser flexionado:

“Os norte-americanos devem achar um absurdo vivermos num país com tantas injustiças.”
“(eu) Trouxe esta boa bebida para que (tu) a degustes.”

Veja ainda este trecho de Carlos Drummond de Andrade:

“Está ali desde antes de nascerem os viajantes.

Está, pois, correto o leitor que optou pela segunda construção, já que o verbo “vender” deve concordar com “eleitores”: “Não é correto eleitores venderem o voto.”

Em compensação, o infinitivo não será flexionado quando tiver o mesmo sujeito da oração principal, aquela que – em tese – inicia o período:

“Eles se julgam com o direito de desrespeitar o Congresso Nacional.”
“Elas sentem imenso prazer em defender o povo brasileiro.”
“Não fomos capazes de estabilizar a economia.”

Lembre-se também que, nas locuções verbais, o verbo principal não terá o infinitivo flexionado:

“Trabalhadores injustiçados devem protestar, devem lutar, devem ser guerreiros.”

Você sabia?

O verbo “parecer”, seguido de infinitivo, pode assumir a forma flexionada ou a não flexionada. Vejamos estas duas construções adequadas:

“Novas reformas parecem encontrar apoio forçado na Câmara.”
“Novas reformas parece encontrarem apoio forçado na Câmara.”

Na próxima semana, abordarei outros casos curiosos sobre Concordância e Infinitivo.
Um grande abraço, até a próxima e siga-me pelo Twitter!

Diogo Arrais
@diogoarrais
Professor de Língua Portuguesa – CPJUR
Autor Gramatical pela Editora Saraiva

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