Para ser empreendedor, é preciso fugir de rotinas alienantes

Sai na frente quem percebe um nicho novo e cria a força para avançar

São Paulo – A história de que “o cavalo encilhado só passa uma vez na vida” é balela. Ele passa várias vezes. O ditado se refere às grandes oportunidades, como os bons empregos, as chances de grandes negócios, as relações com pessoas certas. Todos conhecemos histórias fantásticas de gente que se deu muito bem na vida porque teve uma grande chance e soube aproveitá-la. 

Mas temos de fazer duas considerações a respeito dessa conversa. Primeiro, que a maioria das “grandes chances” que achamos que as pessoas encontraram de repente, na verdade, foram elas que procuraram, às vezes à custa de muito preparo, trabalho e persistência.

Segundo, que, mesmo que consideremos o fator acaso — o encontro do lugar certo com o momento certo —, ainda assim serão necessárias duas competências essenciais, sem as quais o bom acaso passa como um cavalo selvagem. A primeira competência é a percepção, o olho aberto conectado com o espírito curioso.

É preciso estar atento à fantástica miríade de oportunidades que nos rodeiam em forma de novos negócios, novas pessoas, novos mercados. O segredo, então, é olhar em torno com olhos suaves e alma aberta às possibilidades.

Mas só perceber não resolve, é preciso organizar-se, buscar preparo, criar estrutura, planejar, ter coragem e agir. Esta é a qualidade dos empreendedores, que não se limitam ao sonho, partem para a ação. Em outras palavras, é necessário perceber que o cavalo encilhado está passando e é fundamental que se saiba como montá-lo. Senão, adeus oportunidade. 

Não há, na história do empreendedorismo (para ficar num exemplo que é o sonho de muitos empregados), nenhum caso de um negócio bem-sucedido que não tenha começado com a percepção e prosseguido com a ação. Sai na frente quem percebe um nicho inexplorado e cria a força para avançar. Foi assim com Steve Jobs e com a cabeleireira da esquina. Aliás, ambos fazem a cabeça das pessoas. 

A boa notícia é que, tanto a percepção quanto a ação organizada, podem ser desenvolvidas. Aumentamos a percepção quando saímos, deliberadamente, da rotina alienante e abrimos as portas da mente para outras dimensões do mundo, como as artes, as ciências, a literatura universal e as notícias dos jornais. Quanto à ação, bem, esta depende da vontade e da inteligência. A vontade faz um homem levantar da cadeira, e a inteligência o leva a caminhar na direção certa.

Eugênio Mussak escreve sobre liderança e sobre o que está na cabeça do líder, ou deveria estar. É professor do MBA da Fundação Instituto de Administração (FIA) e consultor da sapiens sapiens.