Ele é o RH

Rômulo Dias mostra que é possível ser duro — e ao mesmo tempo inspirador

São Paulo – Carioca e flamenguista, o presidente da Cielo, Rômulo Dias, construiu sua carreira no setor financeiro. Entrou no Banco do Brasil aos 18 anos. De lá, foi para o Banco Nacional e depois para a Previ, na qual comandou a compra da Perdigão por fundos de pensão, em 1994.

“Obtivemos a companhia por 127 milhões de reais e hoje ela vale 46 bilhões de reais”, diz. Depois, foi para bancos privados e dividiu sua casa entre São Paulo e Rio de Janeiro. Ao mesmo tempo, participava do conselho consultivo de grandes corporações, entre elas a Cielo.

E foi assim que, em 2008, veio o convite para comandar a empresa. O desafio era preparar a operação, que até então dominava o mercado brasileiro de sistemas de pagamento, para a entrada de concorrentes.

Economista, quando assumiu a Cielo, na época Visanet, fez as mudanças necessárias rapidamente, o que lhe rendeu o apelido de Rômulo Compressor. Em 2013, foi eleito o CEO Parceiro do RH pelo Prêmio VOCÊ RH Profissional do Ano.

VOCÊ RH – Como foi a transição de Rômulo Compressor para de CEO Parceiro do RH?

Rômulo Dias – Precisava preparar a Cielo para a abertura do mercado, tinha de enxugar as gorduras, aumentar o foco nos clientes. O desafio era entregar os resultados e manter o cuidado com as pessoas. O resultado, o “o quê”, é importante, mas o “como” também é.

Quando você é presidente, sente a pressão dos acionistas, que sempre querem mais. Poderia aumentar os lucros num estalar de dedos, mas preciso manter o equilíbrio entre o “o quê” e o “como”.

VOCÊ RH – E como se consegue esse equilíbrio?

Rômulo Dias – Com coerência. É preciso fazer o que se fala. É necessário conquistar a confiança, dar espaço para as pessoas falarem, sem que sofram uma punição. Mas chega uma hora que o presidente precisa dizer: “Chega, vamos por esse caminho” — isso é ser líder. Sempre acreditei que os funcionários precisam se divertir, rir no trabalho.

Às vezes, o pau está quebrando na sala, mas o presidente tem de manter a calma e não pode perder o bom humor. O Flamengo me ajuda a fazer essa descontração. Eu sempre acreditei que ninguém trabalha só por dinheiro. A corporação tem resultados melhores se tiver gente que briga por ela, que gosta do que faz.

VOCÊ RH – Essa cultura ajuda a dar o direcionamento na empresa?

Rômulo Dias – A missão ajuda. A anterior tinha 111 palavras e ninguém se lembrava delas. Então a transformamos para algo simples: ser referência internacional no setor em que atua. Todo mundo entende isso. Também eliminamos a Visão, algo que copiei do Google. Em conjunto com todos os funcionários, criamos os novos valores, e eles são como uma bíblia.

Os programas de RH, a contratação de pessoas, tudo orbita em torno dos valores. Seguimos o método Kiss, como dizem os americanos: “Keep it simple (stupid)”. Fica fácil para todos remarem para o mesmo lado quando os valores são simples e aplicados na prática.

VOCÊ RH – O que é ser um CEO Parceiro do RH?

Rômulo Dias – O CEO não é um parceiro. O RH é só um facilitador. A responsabilidade pela gestão das pessoas é do próprio presidente. Nós que devemos praticar isso. Nós somos os embaixadores dos valores.