De tão comum este erro de português até já é bem aceito

Amor está no ar na dica de português de hoje; Sabia que a maioria das pessoas erra o falar o verbo mais famoso do Dia dos Namorados?

Da aférese de enamorar, estar em amor, foi formado este verbo na língua portuguesa: namorar.
Aférese, linguisticamente, tem duas correspondências:

Indica a supressão de fonema(s) no início da palavra, como em “tá” em vez de “está”; “cê” em vez de “você”. Tal recurso é uma tendência na língua falada e na informalidade.

Além disso, indica a evolução e a formação de palavras, como no par “enamorar – namorar”.

Namorar com alguém ou namorar alguém

Namorar COM alguém? A regência primitiva, tradicional, é de transitivo direto, ou seja, sem o auxílio da preposição:

“Dizem os delatores que ela namorava todo o Congresso Nacional.”
“O ator namorava a plateia, o cenário e o palco, antes de entrar em cena.”
“O alcoólatra tinha a mania de namorar os copos.”

Apesar da visão purista e da tradição, são vistos muitos registros literários de “namorar com”:

“E o Dr. Carmo, namorando agora com aquela sem-vergonha (…)”
José Lins do Rego

“O Promotor namorava com a filha do coronel Quincas (…)”
Bernardo Élis

Regência rara é a de transitivo direto e indireto pronominal. No sentido de “apaixonar-se”, “ficar encantado”, “enamorar-se”, vemos o registro com auxílio da preposição “de”:

“Namorou-se de uma atriz.”
“Namorou-se da natureza, em criança.”
“Namorou-se da capital e esqueceu-se do campo.”

Em um momento formal (escrita ou fala), o verbo deve ser usado ainda como transitivo direto, apesar de haver uma corrente que já defenda o “namorar com alguém”.

Se nós cobiçamos alguém, se nós desejamos alguém, nós simplesmente namoramos esse alguém.
Que assim seja!

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Diogo Arrais
@diogoarrais
YouTube: MesmaLíngua
Professor de Língua Portuguesa
Autor Gramatical pela Editora Saraiva