Uma estratégia para fugir do consumo tolo

O livro Separe uma Verba para Ser Feliz traz método aplicado em mais de 1.000 pessoas para você ficar em paz com seu dinheiro

São Paulo – Mesmo com pleno emprego e crescimento econômico tímido, mas constante, ainda há um fator que distancia o brasileiro do verdadeiro sucesso financeiro: a intimidade com o próprio bolso. Esse é o principal tema do novo livro Separe uma Verba para Ser Feliz, de autoria do consultor financeiro Mauro Calil.  

Ele apresenta ao leitor o que batizou de método Fast — sigla para os conceitos fazer, antever, salvar e turbinar —, por meio do qual mais de 1.000 pessoas conseguiram bons resultados a partir da aplicação de sua técnica.

“Quero mostrar aqui o caminho para a formação contínua e crescente do patrimônio das pessoas, ensinando estratégias para salvar seu dinheiro do consumo tolo e ainda fazer com que ele se multiplique espontânea e indefinidamente”, afirma.

Um ponto alto do livro é a defesa da tese de que você não precisa ficar multimilionário para ser feliz com o dinheiro nem adiar seus planos, aguardando até ter uma quantia gigantesca para fazer alguma coisa. “Precisa, sim, alcançar uma condição em que você não seja mais refém do dinheiro nem tenha de sustentar seu patrimônio”, diz  Mauro.

Em entrevista à VOCÊ S/A, o economista traz histórias reais do livro, como a de um empresário que devia 200.000 reais e, um ano depois, estava positivo em exatamente a mesma quantia. Ele fala ainda das novidades e da dificuldade de escrever sobre finanças em uma cultura em que “falar sobre dinheiro é algo nada nobre”.

VOCÊ S/A – Como trazer um tema novo para as prateleiras diante de tantos livros de finanças pessoais?

Mauro Calil – A principal novidade desse livro é o método Fast, que estamos aplicando na Academia do Dinheiro — escola de investimento da consultoria Calil&Calil. Atualmente a pressa é uma exigência que vem de toda parte, ainda mais quando o assunto é dinheiro. Esse nome veio da sigla composta por fazer, antever, salvar e turbinar. 

Já aplicamos essa metodologia nas consultorias, planejamentos financeiros pessoais e familiares e também em cursos que ministramos. Mais de 1.000 pessoas já conseguiram resultados a partir da técnica. Então meus alunos e a própria editora me estimularam a compilar os temas em um livro. A ideia é fazer “cair a ficha” do leitor. Não existe uma única resposta ou fórmula para a ordenação financeira. É uma questão de autoconhecimento e de compreensão de como você funciona em relação às suas contas. 


VOCÊ S/A – Como fazer o tema não ficar maçante e repetitivo? 

Mauro Calil –Essa é uma dúvida que vem me perseguindo há tempos, mas acredito que a novidade está na forma de falar e nas estratégias do método. Trago histórias reais no livro, como a de um empresário que devia 200.000 reais e, um ano depois, está positivo em 200.000 reais. Também lanço mão de ferramentas mais lúdicas, como o teste que aponta os perfis e a metáfora da caixa-d’água, com um colchão financeiro e controle de escoamento. Tudo isso ajuda o leitor a se conhecer melhor. 

VOCÊ S/A – Qual dos pontos apresentados no livro você considera mais crítico nas finanças pessoais?

Mauro Calil –Vejo maior dificuldade das pessoas em antever seus gastos e receitas. Antecipar o que vai acontecer com o próprio dinheiro parece bobo, mas é a principal mudança e depende da iniciativa do indivíduo. O restante vem por consequência. Quando há planejamento, você pensa antes de tomar uma decisão financeira.

Porém, as pessoas acham o planejamento muito chato e temem ficar escravas das planilhas. Com algumas metáforas eu mostro na prática que quem se organiza tem bons resultados.

VOCÊ S/A – Que tipo de metáfora?

Mauro Calil –O planejamento está em todo canto. Por exemplo, a pasta de dentes e a escova ficam sempre no lugar certo porque alguém anteviu que diariamente isso seria necessário. Outro exercício mais pesado é tentar antever o impacto financeiro na vida do seu filho caso decida deixá-lo fora da escola — naturalmente será um fracassado.

Ou seja, planejar é algo natural do ser humano, e por que deveria ser diferente em relação ao dinheiro? Seja no cafezinho, seja na compra de um imóvel, se você se planejar, terá ganhos formidáveis.

VOCÊ S/A – E dá para cuidar até do cafezinho?

Mauro Calil –Há quem prefira trabalhar a reorganização financeira nos grandes números, mas eu prefiro justamente os pequenos. Uma conta simples: se você gasta por dia 12,50 reais com um suco, um pão de queijo e um café, ao longo de 262 dias úteis no ano, estamos falando de 3.400 reais.

Não é para passar fome, mas se você sai de casa com o café da manhã tomado e toma o café na empresa, economizará o equivalente à entrada de um carro, por exemplo.