Na volta ao trabalho, é melhor creche ou babá?

Ao fim da licença-maternidade, os pais têm de decidir quem cuidará do bebê. Compare os custos das duas opções

São Paulo – Em janeiro, vários trabalhadores vão ter de enfrentar um dos dilemas que mais afligem os profissionais que têm filhos: resolver com quem deixá-los quando acaba a licença-maternidade. Até escolher entre a creche e a babá, é comum peregrinar por várias instituições para identificar a mais adequada e entrevistar uma série de candidatas a cuidar das crianças.

Neste ano, a aprovação da nova legislação trabalhista para os empregados domésticos — que deixou a contratação das babás mais cara — reacendeu as discussões em torno das dificuldades enfrentadas pelas mulheres para retornar ao trabalho ao fim da licença.

Uma pesquisa realizada pelo Instituto Data Popular em parceria com o SOS Corpo — Instituto Feminista para a Democracia revela que a principal dificuldade relacionada ao trabalho apontada pelas mulheres é a falta de creches, listada à frente de itens como falta de tempo para se cuidar, transporte ou falta de ajuda nas tarefas domésticas.

Segundo o estudo, 10 milhões de crianças brasileiras estão em idade de frequentar creche, mas apenas 21% estão matriculadas nesse tipo de instituição. Em nove regiões metropolitanas e no Distrito Federal, a falta de creches é um grave problema: 34% das entrevistadas apontam que encontrar vaga nesses espaços — públicos ou privados — é a principal difculdade para as mulheres que trabalham.

A demanda não varia segundo a classe social: nas classes A e B, o problema afeta 36% das mulheres; na classe C, 33% delas; e nas classes D e E a carência é de 34%. Por causa dessa realidade, 64% das profissionais recorrem a outras mulheres para cuidar dos filhos — pagando ou não.

“A creche é um direito da criança e uma política pública central para promover a autonomia e a participação das mulheres no mercado de trabalho”, afirma Verônica Ferreira, pesquisadora do instituto SOS Corpo. 


Ainda de acordo com a pesquisa, as alterações na jornada de trabalho fazem com que as trabalhadoras reivindiquem mudanças nessas instituições, como funcionamento até as 22 horas, instituições em período integral, funcionamento nos fins de semana e nos feriados e que as empresas invistam em suas próprias creches.

“Muitas creches e berçários que existiam em empresas, públicas e privadas, foram fechados ao longo dos anos. Não estaria na hora de regulamentar o direito à creche no local de trabalho, que ficou só no papel?”, diz a pedagoga Maria Malta Campos, professora da PUC-SP e presidente da ONG Ação Educativa. 

Enquanto isso não acontece, pais e mães têm de decidir entre babá e creche levando em conta o bem-estar da criança mas também os custos envolvidos em cada uma dessas opções — uma conta que deve ser feita de forma criteriosa para não sobrecarregar as despesas da família.

Cuidados em casa

Quando ficou grávida do segundo filho, João Gabriel, a executiva paulista Roberta Melo, de 35 anos, gerente sênior na DHL, ficou preocupada. Ela sabia que, ao fim da licença-maternidade, trabalharia num projeto que demandaria muita dedicação.

Roberta optou por contratar uma babá. A profissional cuida de João Gabriel das 9 às 15h30, período em que dá banho, alimenta e brinca com a criança. Depois, o bebê fica com a avó. “Minha mãe mora a 2 quilômetros do meu trabalho, então consigo passar lá para vê-lo”, afirma.

Gasto anual de Roberta com a babá

12.000 reais (salário de 1.000 reais mensais) + 14.00 reais (INSS) + 2.640 reais (vale-transporte de 220 reais mensais) + 1.000 reais (13º salário) + 333 reais (abono de férias) = 17.373 reais

Mais tranquilidade na escolha pelo “hotelzinho”  

Antes mesmo do nascimento de Rodrigo, a fisioterapeuta pernambucana Danielle Almeida, de 36 anos, já havia contratado uma babá para ajudá-la com o flho e a casa. “Nos quatro meses antes do fim da licença-maternidade, poderia observar se ela tinha jeito para cuidar da criança”, diz.

Quando retornou ao trabalho, Danielle espalhou câmeras pela casa para sentir-se mais segura. “Além de atrapalhar minha rotina profissional — porque eu precisava parar para checar o que estava acontecendo em casa —, fiquei anda mais insegura, porque vi que ela esqueceu de dar o lanche um dia e não estava cuidando do Rodrigo como eu queria.”

Foi assim que, em outubro, apenas um mês depois de deixar o filho com a babá, a fsioterapeuta resolveu matricular Rodrigo em período integral em um hotelzinho, denominação dada a algumas instituições que cuidam de crianças de até 2 anos em Recife. “O hotelzinho é perto do meu trabalho. Consigo vê-lo na hora do almoço para saber como ele está e fico mais tranquila”, afirma Danielle.

Gasto anual de Danielle com a creche

200 reais (matrícula) + 14.400 reais (1.200 reais mensais, horário integral, com quatro refeições preparadas por uma nutricionista) + 150 reais (uniforme incluindo três conjuntos de short e camiseta) + 4.200 reais (transporte, 350 reais mensais com combustível) = 18.950 reais


Quanto custa?

Veja o preço médio das duas opções

Babá

Segundo o Portal Doméstica Legal, onde 9.000 empregadores fazem a folha de pagamentos de empregadas e babás, os valores médios pagos mensalmente a elas são: 

Local Salário médio em reais
Distrito Federal 796
Pernambuco 728
Rio de Janeiro 1.052
São Paulo 1.167

Creche

VOCÊ S/A apurou a mensalidade aproximada das creches particulares — ou escolinhas — em três capitais brasileiras 

São Paulo: de 150 reais, na periferia, a 3.000 reais, nos bairros nobres

Recife: de 800 reais a 2.500 reais 

Rio de Janeiro: de 700 reais a 2.500 reais