Corinthians X Boca: Como lidar com a pressão de um dia decisivo na carreira

Como encarar as pressões do dia a dia que mais se parecem com finais de campeonato? Especialista em psicologia do esporte ensina, com base nos conselhos que daria ao time

São Paulo – O Corinthians tem uma decisão inédita pela frente: enfrenta o Boca Juniors na sua primeira final de Libertadores – o campeonato que decide a melhor equipe da América do Sul, aquela que vai representar o continente no Mundial de Clubes em Tóquio.

A primeira partida da final (são duas, uma na casa de cada clube) já aconteceu e a equipe paulista empatou com o clube argentino em Buenos Aires. Agora, quem ganhar no Pacaembu leva. E o peso de uma das maiores torcidas do Brasil está nas costas dos jogadores corintianos que jogam nesta quarta.

Mas a pressão que esses atletas estão sentindo, e a responsabilidade que têm, também são vividas, longe dos campos, por profissionais de todos os setores. Afinal, “não dá para viver sem estresse, ele existe em todas as profissões”, como afirma Renato Miranda, especialista em psicologia do esporte. E as dicas que o psicólogo daria para jogadores prestes a enfrentar uma final são as mesmas para qualquer profissional prestes a encarar um momento decisivo em sua carreira.

“A coisa mais importante é encarar a situação como um desafio, não ver o estresse como algo negativo”, diz o psicólogo. Para ele, pressão pode ser algo que favorece o desempenho do profissional (seja ele um executivo ou um jogador de futebol). Miranda explica que uma ocasião como a final da Libertadores deve ser encarada não como uma ameaça, mas como uma oportunidade: “Esses meninos têm a chance de alavancar suas carreiras e entrar para a história do clube”, afirma.

Mas e quando bate aquela insegurança antes do momento decisivo? O especialista responde: “Se eu estivesse falando com os meninos, diria que eles treinaram para isso. Eles têm as habilidades necessárias e estão prontos para encarar o desafio”. Ou seja, muito da confiança para evitar que a pressão seja paralisante vem da sensação de dever cumprido. Por isso, antes de qualquer momento importante na sua carreira, tenha a certeza que você se preparou o necessário.


Para piorar o estresse, os jogadores corintianos ainda enfrentam um tabu: em toda sua história, o clube nunca foi campeão da Libertadores. Como fazer para não deixar o peso de um tabu da sua empresa (ou, no caso, time) atrapalhar? “O jeito é perceber que o tabu não pertence a eles, mas sim às instituições”, diz Miranda. Para o psicólogo do esporte, o essencial para esquecer o tabu é “focar nas suas tarefas individuais, nas tarefas a serem feitas em equipe e no que está acontecendo no presente. Depois você pensa em tabus”, completa.

O torcedor – ou a pessoa que acompanha o profissional (seja parente, amigo ou esposa) também tem de lidar com muito estresse e pressão. E se manter saudável para estar ao lado do profissional caso ele precise.

“Essa pessoa tem de usufruir o momento, vibrar e torcer. Já que mesmo que eles pudessem fazer algo nada garante que ajudariam, o melhor é aproveitar o jogo”, aconselha Miranda.

O psicólogo do esporte ainda oferece mais dicas para os jogadores nesta quarta: “O time teve uma boa campanha e esses meninos agora têm de entrar no jogo e se divertir, aproveitar a oportunidade”.