Contra escândalos, empresas tentam evitar bebedeira em confraternizações

Festas durante o dia sem bebidas alcoólicas e funcionários escolhidos para vigiar os colegas são duas das medidas de empresas para as festas de fim de ano

O presente que todas as firmas de auditoria querem no Natal é uma festa de fim de ano segura e sem escândalos.

O diretor de operações da BDO, Andy Butterworth, pediu aos chefes de departamento que escolhessem duas pessoas da equipe para vigiar os convidados e garantir que todos os locais tivessem atendimento de primeiros socorros em caso de emergências médicas, segundo informações do Financial Times.

“Eu sei que essas medidas de precaução podem parecer um pouco excessivas para alguns, mas acho que são sensatas para o bem-estar de nossa equipe”, disse Butterworth em memorando.

Outras grandes empresas de contabilidade do Reino Unido também adotam medidas para reduzir o consumo excessivo de álcool e, às vezes, o comportamento agressivo que caracterizou algumas festas corporativas durante a temporada de confraternização de fim de ano.

Tanto a KPMG quanto a PricewaterhouseCoopers estão incentivando as equipes a realizarem confraternizações durante o dia, em vez de festas com bebidas, enquanto a Deloitte reforçou sua expectativa em relação ao comportamento dos funcionários.

“Esperamos que nossa equipe atue profissionalmente no ambiente de trabalho ou em qualquer outro local quando estiver representando a empresa”, disse um porta-voz da Deloitte. “Nossas políticas internas e código de ética estabelecem claramente os padrões de comportamento esperados.”

Um porta-voz da PwC disse que a empresa sempre oferece orientação para a equipe antes da temporada de Natal, inclusive chamando a atenção dos funcionários para o código de conduta corporativo. A KPMG e a Ernst & Young não responderam imediatamente aos pedidos de comentário por e-mail, que foram enviados fora do horário comercial.

O comportamento inadequado em reuniões de trabalho regadas a bebida está cada vez mais na mira de empresas na City of London.

A instituição Presidents Club disse em janeiro que iria fechar as portas depois que uma reportagem do Financial Times revelou que as recepcionistas do jantar de caridade – exclusivo para homens – eram tocadas e alvo de comentários inconvenientes e insistentes pedidos para ir aos quartos dos convidados.

A imagem do Lloyd’s of London foi abalada por alegações de conduta sexual inadequada em meio a uma cultura de funcionários embriagados.

Em outubro, um órgão regulador do Reino Unido descobriu que um sócio do escritório de advocacia Freshfields Bruckhaus Deringer se envolveu sexualmente com uma colega de 20 anos, que estava intoxicada.

Ele renunciou depois que o Tribunal Disciplinar de Solicitadores ordenou o pagamento de uma multa de US$ 300 mil após um julgamento de nove dias.

Logo depois, o Freshfields introduziu um comitê de conduta segundo o qual a remuneração de um sócio poderia ser reduzida em 20% caso uma investigação interna concluísse que seu comportamento justificaria uma “advertência”.