Conheça as empresas do varejo com os funcionários mais felizes

Elas ficaram entre as 150 Melhores Empresas para Trabalhar, guia e pesquisa da Você S/A

Este texto faz parte do anuário VOCÊ S/A – As 150 Melhores Empresas para Trabalhar 2018, publicado em novembro de 2018 (ed. 246), com informações levantadas entre os meses de junho e setembro do ano passado. 

A Brasal Combustíveis teria alguns motivos para sofrer em 2018: a crise econômica do país teve efeito direto e negativo nas vendas; a greve dos caminhoneiros representou uma situação de grande tensão para o negócio; e uma intervenção do governo desmontou um esquema de cartel de postos de combustíveis da região (do qual a companhia não participava). Tudo isso poderia ter sido péssimo, mas não foi. Apesar de ter havido cortes de pessoal, de acordo com os funcionários, a preservação dos benefícios e o bom trato aos trabalhadores garante um ótimo clima. Quem ficou na empresa se sente acolhido e compreende a necessidade de enxugamento do quadro. O sentimento positivo também é fruto da generosa cesta de benefícios que oferece folga no dia do aniversário e um salário no retorno das férias — que funciona como um empréstimo sem juros que pode ser pago em até dez prestações. Outros mimos — como correspondências residenciais com desejo de feliz aniversário ou agradecimento por tempo de empresa, eleição de funcionários do mês e do ano, e recebimento, por meio de comunicação interna, de elogios feitos pelos clientes da Brasal Combustíveis — aumentam o sentimento de valorização. | brasal.com.br/combustiveis | Visita: Nina Neves, em Brasília (DF)


PONTOS POSITIVOS

O programa De frente com o gestor promove encontros individuais com os gerentes gerais de cada unidade. Nessa conversa, os empregados se sentem à vontade para falar sobre carreira e liderança.


PONTOS A MELHORAR

O quadro enxuto faz com que o trabalho fique mais pesado. Às vezes, os funcionários precisam estender o horário, o que vai para o banco de horas. É necessário aprimoramento tecnológico em diversos processos.


GAZIN

Osmar Della Valentina serve de exemplo para os funcionários da varejista Gazin. Gerente de atacado na empresa, ele trabalhou ao lado do fundador, Mário Gazin, por dois anos antes de assumir a presidência em 2013. É possível galgar degraus e subir na carreira — e todos sabem disso. O porém fica por conta da oferta de vagas. Como a rotatividade é baixa, pode demorar muito até surgir uma oportunidade de crescimento. Mas, enquanto ela não vem, dá para ir se preparando e se qualificando. Hoje, a Gazin já ministra treinamentos — inclusive cursos de liderança — por meio de um aplicativo para celular. Nele, os líderes conseguem acessar relatórios que mostram a performance de seus subordinados, seguindo de perto o desenvolvimento das equipes. Os empregados são acompanhados, ainda, pela avaliação de desempenho, que acontece uma vez por ano no modelo 360 graus. Cada um faz sua autoavaliação, é avaliado pelo superior imediato e avalia os colegas de trabalho e o próprio chefe. Ao final desse processo, é traçado um Plano de Desenvolvimento Individual (PDI) para auxiliar o profissional a suprir eventuais gaps. Além disso, quem tem nota abaixo de 8 na avaliação é monitorado pela área de recursos humanos. | gazin.com.br | Visita: Tatiana Vaz, em Douradina (PR)


PONTOS POSITIVOS

Quem chega à empresa é acompanhado por um tutor pelo período de
90 dias. O programa Tô de Folga prevê que o funcionário tire um sábado de folga por mês, desde que não prejudique o departamento.


PONTOS A MELHORAR

Há várias viagens de incentivo, sempre atreladas ao cumprimento de metas. No entanto, o pessoal do operacional diz que as regras não são claras e que nem todos os setores podem concorrer.


LOJAS RENNER

Para a Renner, a transformação tecnológica se tornou uma prioridade, sobretudo no serviço ao cliente. Na sede, em Porto Alegre, um comitê para assuntos digitais encabeçado pelo presidente foi criado, e a ideia é ter times multidisciplinares e squads. O objetivo é testar modelos de trabalho modernos e pensar o uso de novas tecnologias, fazendo com que os negócios já nasçam digitais. Na ponta do varejo, os funcionários das lojas ainda não sentem a pressão pela disrupção, e a sensação geral é de tranquilidade. Os resultados dos últimos meses foram positivos e o clima é de estabilidade. Os empregados elogiam o senso de colaboração e de cuidado entre as equipes e gerências dos estabelecimentos. Na busca pela inovação, outra medida que a empresa vem tomando é abrir espaço para a diversidade cognitiva (de pensamentos ­diferentes) em seu quadro. Mas esse é um ponto ainda a ser desenvolvido. Durante a visita da reportagem, algumas pessoas reclamaram da falta de preparo da chefia para entender e lidar com as ­necessidades desse público diverso. Já o fato de o plano de saúde depender do cargo ou do tempo de casa (a partir de dois anos para o operacional) continua sendo um ponto de muita insatisfação. | lojasrenner.com.br | Visita: Bárbara Nór, em Porto Alegre (RS)


PONTOS POSITIVOS

Os gerentes elogiam a liberdade de transitar entre as áreas durante a carreira. Conforme a empresa cresce, aumentam as oportunidades de fazer coisas novas para quem já está lá.


PONTOS A MELHORAR

Quem atua no administrativo sente falta do trabalho remoto, que poderia ser formalizado e praticado. Já para o operacional faltam espaços de descompressão e armários indivi­duais nas lojas.


MAGAZINE LUIZA

Pense num lugar onde a crise passa longe. Contrariando os indicadores da economia, o Magazine Luiza conseguiu vender 1 milhão de aparelhos de televisão em apenas seis meses, pegando carona na Copa do Mundo de Futebol, realizada na Rússia neste ano. No segundo trimestre de 2018, a rede varejista registrou lucro líquido de 140,7 milhões de reais — quase 95% superior ao relatado no mesmo trimestre do ano anterior. O reflexo disso foi sentido na bolsa de valores: as ações subiram 7%, e a companhia viu seu valor de mercado sair de 15 bilhões de reais, em janeiro, para 26 bilhões de reais no mês de agosto, segundo dados da Economatica. Por trás desses números estão metas agressivas de vendas, que chegam a ser diárias para as lojas — e caso alguém fique abaixo do esperado, o que faltou acumula para o dia seguinte. No administrativo, os objetivos são definidos por área em janeiro e revistos no meio do ano. “Todo mundo se ajuda, inclusive os gerentes. Todos se unem para cumprir as metas”, diz um empregado. Apesar do clima de companheirismo, a pressão pode gerar discussões e prejudicar a harmonia entre as equipes. Os líderes são de fácil acesso e a diversidade respeitada. | magazineluiza.com.br Visita: Renata Costa, em São Paulo (SP)


PONTOS POSITIVOS

Nas lojas, os funcionários que estudam têm prioridade para definir o turno de trabalho, sempre acordado com a liderança. Quem possui filho deficiente conta com um auxílio, vitalício, de 250 reais por criança.


PONTOS A MELHORAR

Há um plano de carreira estruturado, formalizado e praticado. embora os níveis sejam claros, os critérios de promoção não são bem definidos. Falta um programa para os funcionários enviarem ideias e sugestões.


VIA VAREJO

Os últimos anos foram difíceis para a Via Varejo, dona das marcas Ponto Frio e Casas Bahia. Com inflação alta e crédito restrito, os consumidores fugiram das lojas e a empresa teve de amargar um prejuízo de 95 milhões de reais em 2016. No mesmo ano, inclusive, a rede de eletrodomésticos e eletrônicos foi colocada à venda pelo Casino, controlador do Grupo Pão de Açúcar, holding da qual a empresa faz parte. Embora a recuperação comece a ser notada — no segundo trimestre de 2018, o lucro registrado foi de 20 milhões de reais —, o alívio está longe. “Os desafios ainda são grandes”, afirma um analista. O investimento em tecnologia, como a criação das lojas Smart, entretanto, anima, e a transformação digital é sentida por todos. Um exemplo é o aplicativo Via Conecta, no qual é possível realizar diversos treinamentos por meio do celular, mesmo fora do ambiente corporativo. Outro destaque é o Via Desconto, programa de parcerias que diminui em 40% mensalidades de academias e cursos universitários. No último ano, a diversidade também ganhou relevância. Além de campanhas e comitês, como os de raça, LGBTs e PCDs, a companhia criou um departamento com quatro profissionais dedicados a fomentar equipes mais diversas. | viavarejo.com.br |
Visita: Luciana Lima, em São Caetano do Sul (SP) 


PONTOS POSITIVOS

Os funcionários estão muito contentes com o pacote de benefícios da companhia e com as oportunidades de crescimento internas. A rigidez em combater casos de assédio moral também foi destacada.


PONTOS A MELHORAR

reclamações sobre a coparticipação no plano médico e a troca do vale- alimentação por cesta básica. Os empregados também pediram uma distribuição mais justa das equipes nos plantões de sábado na fábrica.


BRASSOL DISTRIBUIDORA

Os funcionários da Brassol Distribuidora, que comercializa e distribui alimentos e bebidas, sentiram a retração do mercado, mas sem sustos: “Por causa da estrutura e dos custos enxutos, nos mantivemos bem”, diz Cristiane Nonato Simplicio, responsável pelo RH. Os incentivos à graduação, um dos destaques do ponto de vista dos empregados, também se mantiveram. Eles podem ser desfrutados após um ano de empresa e aumentam proporcionalmente ao tempo de casa, podendo chegar a bolsas de 50%. Já o crescimento dos profissionais depende das avaliações semestrais. A cada duas com notas acima de 3, o funcionário tem direito a mudança de nível e aumento de 12,5% sobre o salário — os níveis de cada função vão de 1 a 5. Agora o RH começa um projeto de plano de carreira porque os funcionários estão chegando ao último estágio de desenvolvimento. Por ser uma empresa pequena, os ouvidos estão sempre abertos. A integração mista é um diferencial da gestão de pessoas: há sempre novatos sendo recebidos na empresa, passando pelo processo ao lado de colegas antigos, que são reciclados. Esse é um momento de troca de expectativas de quem chega e das experiências de quem é prata da casa. | brassol.com.br Visita: Nina Neves, em Brasília (DF)


PONTOS POSITIVOS

Foi por causa de um comentário na caixa de sugestões que a Brassol definiu quais materiais precisavam ser trocados com mais urgência, como as cadeiras; mas o canal para inovações precisa ser mais bem estruturado.


PONTOS A MELHORAR

Reclamações referem-se à estrutura. Há a expectativa de construção
de uma nova sede. Outro ponto de melhoria seria ter auxílio-creche,
babá, escola e licenças maternidade e pater­nidade estendidas.