Como me tornei RH

Davide Aprile, diretor de RH da BD no Brasil, conta sua trajetória profissional, que inclui passagens por empresas como Accenture

São Paulo – Quando tinha 13 anos, o italiano Davide Aprile viveu sua primeira grande mudança. Filho de um executivo de multinacional, ele teve de desembarcar em São Paulo quando o pai foi expatriado para o Brasil. Seis anos mais tarde, Aprile decidiu voltar a Milão, sua cidade natal, para iniciar os estudos em economia na Universidade Comercial Luigi Bocconi.

Toda vez que retornava ao Brasil, no entanto, ele se perguntava se estava estudando no país certo. “O curso era muito bom, mas, por ser praticamente integral, eu não tinha oportunidade de estagiar”, diz. Movido pela vontade de aprender na prática, Aprile pediu transferência para a Fundação Armando Álvares Penteado (Faap).

Ao retornar, conseguiu seu estágio na Accenture. “Atuei no departamento que cuidava de pessoas com enfoque na gestão da mudança organizacional”,conta. De estagiário, Aprile passou pelos cargos de analista, consultor, gerente e gerente de projetos e, por dez anos, atuou do lado de fora da gestão de pessoas de grandes organizações. Foi quando decidiu explorar o outro lado.

“Fui para a Novartis como consultor interno e pude aprender melhor as habilidades de um profissional de RH”, diz. Seu primeiro cargo efetivo na área veio apenas em 2009, quando assumiu a diretoria de RH da Zambon. “Minha missão era transformar o departamento e ajudar a posicionar o laboratório entre as melhores empresas para trabalhar.”

Em julho de 2013, veio o convite da BD (­Becton, Dickinson and Company), empresa de tecnologia médica, e, desde então, ele tem buscado fortalecer a gestão de talentos e transformar o RH numa área global de serviços compartilhados.

Fluente em português, inglês, espanhol e, claro, italiano, Aprile, hoje com 40 anos, nunca fez pós ou MBA na área de RH. Toda bagagem veio dos treinamentos, cursos e, principalmente, da experiência adquirida nas empresas pelas quais passou. E é nisso que ele acredita. “A gente só aprende fazendo”, afirma o executivo.