Como descobrir e mostrar as novas habilidades em alta de tecnologia

Não são apenas os profissionais de TI que precisam ficar atualizados sobre as novas tecnologias e as habilidades exigidas pelo mercado

Não importa em qual área você atua: manter-se constantemente atualizado com as novas tecnologias e habilidades requisitadas pelo mercado de trabalho é essencial para ser um profissional competitivo. E com as mudanças recentes no mundo da tecnologia, isso é mais verdadeiro do que nunca.

De acordo com o relatório The Future of Jobs do Fórum Econômico Mundial, 65% das crianças que iniciaram sua educação formal em 2016 devem seguir para empregos que nem mesmo existem hoje em dia. E por mais que isso soe estranho, pense no seguinte: quantos empregos comuns hoje em dia, como dirigir para aplicativos, existiam há 10 ou mesmo cinco anos?

Por isso, manter-se atento é essencial – isso você já sabia. Mas descobrir quais habilidades em TI são importantes pode ser um desafio. E mesmo quando já se sabe quais são, ainda há a questão de como adquiri-las e tê-las reconhecidas pelo mercado.

Para tirar essas dúvidas, conversamos com recrutadores da Hays e da Michael Page, duas das recrutadoras mais importantes do mundo, para saber mais sobre o assunto.

Dica 1: saiba que o futuro inteiro é online

De acordo com Fúlvio Nishiyama, gerente de equipe da Hays Experts, áreas relacionadas a dados e inteligência artificial – incluindo business intelligence e ciência de dados – devem ter uma grande procura nos próximos anos. Na visão do recrutador, isso deve acontecer porque, embora sejam novos conteúdos, “já se sabe do retorno que nos trarão”.

Mesmo em áreas não-tecnológicas, o domínio de ferramentas digitais e online deveria ser prioridade para profissionais que queiram se valorizar. No setor de comunicação, por exemplo, Fúlvio considera que o marketing digital tem bastante potencial de crescimento nos próximos anos.

Isso porque as empresas estariam mudando suas estratégias de marketing offline (como TV, rádio, anúncios em jornais e em outros veículos impressos) para online (publicidade nas redes sociais, banners, marketing em mecanismos de busca). Essa mudança, segundo ele, ajuda a “garantir sustentabilidade nas empresas”, já que o marketing online costuma ser mais rentável.

“Na Europa e EUA, por exemplo, esse movimento de ter uma estrutura dentro de uma empresa para atuar com marketing digital já é bem maduro”, comenta. Fora isso, Fúlvio também ressalta que as interações online têm a vantagem de gerar dados, o que “é a base para colhermos informações do público e sobre o que ele quer conversar”.

Dica 2: entenda as grandes áreas de uma carreira em TI (e onde você quer estar)

Diego Mariz, gerente sênior da Michael Page especializado em recrutamento para TI na América Latina, considera que “o mercado de TI é o que mais mudou em termos de contratações ao longo dos últimos três anos”. Isso por conta das tecnologias que possibilitam empresas como Uber e Airbnb, com alto potencial de disrupção de mercados tradicionais.

Segundo Mariz, a Michael Page divide o mercado de tecnologia em três grandes áreas, cada um com suas habilidades e necessidades próprias:

  • Desenvolvimento
  • Produtos
  • Dados

A primeira delas é relativamente tradicional e mais estável: trata-se dos profissionais e das oportunidades relacionadas à criação de aplicativos, sites, sistemas, etc. A ela se relacionam programadores de front-end, back-end, full stack e outros.

A área de produtos, por sua vez, inclui profissionais que têm um perfil além do apenas técnico e têm um entendimento maior de negócios. É nessa área que entram, por exemplo, profissionais de UX e UI. São trabalhos que demandam profissionais um pouco mais em contato com o aspecto interativo dos sistemas. “Em geral é um profissional que veio de tecnologia, mas que hoje têm a função de entender as necessidades dos usuários e de liderar o desenvolvimento.”, afirma.

Finalmente, a área de dados é a que inclui as tecnologias mais recentes, como deep learning e inteligência artificial. Nessa área entram, por exemplo, os cientistas de dados, responsáveis pela aquisição e tratamento dos dados das empresas, e os engenheiros de dados, que criam a estrutura necessária. E também se encaixam os programadores e pesquisadores mais envolvidos com machine learning.

Na visão de Mariz, esses profissionais têm grande importância corporativa: são eles que “vão ditar como as tecnologias vão ajudar a empresa” em relação à data science.

Dica 3: compreenda a cultura organizacional da empresa

Mas e com relação ao comportamento, as chamadas soft skills, o que é exigido de profissionais de tecnologia?

Nessa questão existe um cenário curioso – e depende de onde você está situado. Segundo Mariz, há uma grande quantidade de novas empresas e startups surgindo, e elas oferecem aos profissionais a oportunidade de trabalhar num ambiente descontraído, flexível e sem muita hierarquização.

Esse tipo de ambiente de trabalho é mais desejado por profissionais jovens, que são justamente os que costumam estar melhor informados sobre essas novas tecnologias. Por outro lado, empresas mais tradicionais também estão buscando profissionais com essas capacidades, mas ainda mantêm um ambiente de trabalho mais rígido e hierarquizado.

Normalmente, elas acabam atraindo candidatos com salários mais altos e mais benefícios. Mas sua estrutura gera dificuldade para os profissionais na hora de “vender” seus projetos. “Na área de TI, você muitas vezes inicia o projeto e vai vendo o que acontece. Nessas empresas, os trabalhadores de TI, principalmente em cargos de liderança, têm dificuldade em convencer as outras áreas a investir num projeto sem retorno garantido”, diz Mariz.

Isso acaba gerando uma espécie de “choque de realidade”, e faz com que os profissionais que pretendem atuar em organizações desse tipo precisem “desenvolver uma capacidade impressionante de vender seu projeto”, nas palavras de Mariz. E esse nível de habilidade com a comunicação normalmente não é algo que se costuma ser exigido.

Empresas novas que pretendem usar essas tecnologias – e que, portanto, precisarão atrair funcionários que saibam manipulá-las – muitas vezes já se criam com uma cultura próxima dos mais jovens, como a fintech Nubank, bastante cobiçada por profissionais.

“Para o profissional de TI, ter um projeto tecnicamente desafiador é um fator de atração fundamental. E para quem é da área de negócios, dar a sensação de resolver de fato um problema da sociedade é essencial também. O Nubank tem esses dois fatores”, comenta Mariz.

Dica 4: mostre que você está atualizado

Esse desafio técnico é importante também por outro motivo. De acordo com Mariz, empresas do tipo acabam permitindo que seus funcionários se mantenham atualizados, visto que o próprio trabalho acaba lhes dando oportunidades de ter contato com novas tecnologias e ferramentas.

Para quem sente que precisa de desafios e outros meios de adquirir novas habilidades, ele recomenda cursos – incluindo os cursos online da Udacity – como uma boa alternativa.

Além de permitir o contato de profissionais com esses novos conhecimentos e apresentar essas novidades vinculadas a projetos, eles também oferecem certificados de conclusão, que servem como “prova” de que o profissional tem esse conhecimento.

Essa prova, para Mariz, ainda é muito importante no mercado. Na visão do recrutador, o processo de formação de profissionais de TI é incremental: eles vão adquirindo novos conhecimentos aos poucos, em vez de aprender tudo na faculdade.

Por isso, catalogar os projetos em que participaram também é essencial. Fúlvio Nishiyama, da Hays, também ressalta esse ponto. “Sinto frequentemente falta de um resumo das atividades desses profissionais em cada passagem [por uma empresa]”, comenta. Ou seja, investir num bom currículo já é um ótimo começo.

Dica 5: torne-se o que o mercado já busca

Nishiyama também sugere que os profissionais que queiram se manter atualizados olhem com frequência para as vagas que gostariam de ocupar e suas descrições. As exigências dessas vagas servem como “dicas” de habilidades profissionais valorizadas em TI.

Já a principal dica de Mariz para se manter antenado com as novidades é mais old fashioned: ter uma boa rede de contatos. Alguém que tenha essae network consegue interagir com pessoas importantes, enxergar as tendências e se preparar para elas.

“Se a pessoa já está numa empresa desafiadora, legal. Se não, tem que buscar uma rede de contatos paralela que troque esse tipo de informação”, diz.

E se você não conhece ninguém naquela área, cargo ou organização onde gostaria de trabalhar? Use a própria tecnologia a seu favor, escreva uma boa mensagem de apresentação e encontre, via redes sociais ou e-mails, quem possa ajudá-lo.

Dica 6: aprenda inglês (sim, isso ainda é diferencial)

Por mais que o mercado de trabalho mude, há um problema contínuo. “Eu tenho um banco com mais de mil candidatos do mercado de tecnologia para as áreas de desenvolvimento, dados e produto que eu citei. E, nesse banco de dados, só 44% dos candidatos falam inglês”, comenta Mariz.

Domínio da língua inglesa, por incrível que pareça, ainda é um fator que exclui muitos candidatos competitivos de oportunidades invejáveis. “Muitas vezes tenho um profissional que é excelente mas não tem inglês – e aí acaba ficando fora do projeto”, continua Mariz.

Para ele, não basta que o candidato consiga ler e entender em inglês: ele precisa conversar na língua. “Numa empresa internacional, a pessoa precisa conseguir se comunicar em inglês porque pode acabar participando de um projeto que envolve gente dos Estados Unidos, da Europa, do mundo todo. E se ele não conseguir conversar em inglês, ele fica de fora”, ressalta.

É um ponto que Fúlvio ressalta também, principalmente pensando no cenário empresarial que está se formando. “Os profissionais que se preocupam em dominar uma outra língua serão mais acessados pelos recrutadores, pois muitas empresas e startups multinacionais começam a operar no Brasil”, indica.

Este artigo foi originalmente publicado pelo blog da Udacity, a Universidade do Vale do Silício.

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