Como arrasar em qualquer prova de redação, segundo um professor

Professor Diogo Arrais dá o caminho das pedras para quem quer garantir uma boa nota em provas de redação

Em um processo seletivo, a Redação não precisa ser uma obra de arte, ou seja, não é um concurso literário. Uma boa nota depende da exposição lógica, dos bons exemplos citados, do respeito ao padrão da Língua e (claro!) do convencimento diante do tema proposto pela banca examinadora.

Ao se redigir um texto dissertativo-argumentativo, é importante que o escritor tenha como meta: a tese altera o comportamento do leitor; os exemplos utilizados demonstram conhecimento maduro diante do tema proposto; os parágrafos não apresentam apenas obviedades.

Como se sabe, na maioria das provas, há um número mínimo e um número máximo de linhas (entre 20 e 30). Por isso, o projeto de texto (o famoso rascunho) é essencial.

Para exemplificar, usemos aqui o tema “Ética na Sociedade Brasileira”.

A introdução pode abordar o conceito de ética. O dicionário ou o conceito de um especialista renomado criam bons inícios:

“Ética remete ao Conjunto de princípios, normas e regras que devem ser seguidos para que se estabeleça um comportamento moral exemplar. Como também analisa o economista e ensaísta Eduardo Gianetti: ‘Valores éticos são uma espécie de gramática da convivência. Sem a gramática, não há língua, do mesmo modo como a virtude dá o estilo do convívio’.”

 Nomes de autores, referências a estudos consagrados, exposições de obras respeitadas geram um valor muito alto à tese: não há um bom trabalho sem pesquisa.

Candidatos com pouca prática têm a característica da “invenção” de opiniões, com uso deselegante da primeira pessoa, somados à aproximação da língua falada: “Nós sabemos que a ética no Brasil é uma coisa complicada de se ver.”

Por outro lado, o escritor coerente sabe que o desenvolvimento da ideia (logo após a introdução) poderá ter alusões a fatos cotidianos, tais como:

“Exemplo da ausência de valores éticos deu-se no conhecido Mensalão: a propina foi sustentada – por parte dos parlamentares – como a conduta normal. O que se viu foi exatamente a transgressão da norma – o recebimento de vantagem indevida para ilicitamente beneficiar interesses de outrem.”

Após uso de analogia cotidiana, o escritor pode somar um estudo, uma opinião de um historiador, sociólogo, cientista político, ministro do Supremo Tribunal, mas sempre se atentando a não julgar subjetivamente, mas expor em função da tese (nesse caso, demonstrar a falta de Ética no Brasil e apontar mudanças necessárias).

No momento de fechamento do texto (a famosa conclusão), mais importante do que a lógica conjunção “por isso”, é uma espécie de “solução” para o “conflito” do tema apresentado pela banca examinadora:

“Por tudo isso, entende-se que uma sociedade é pautada pelo comportamento das pessoas. Ela só é justa quando houver ética em sua rotina. A mudança não ocorre quando aguardamos apenas a transformação dos outros; todos os indivíduos têm um papel importante na construção de uma sociedade melhor. Com falta ou ausência de ética, há apenas o caos, a injustiça, a desigualdade social.”

 Um grande abraço, até a próxima e siga-me pelo Twitter!

Diogo Arrais

@diogoarrais

Professor de Língua Portuguesa – CPJUR

Autor Gramatical pela Editora Saraiva