Cientista de dados: a profissão do futuro continua em alta

Profissionais que atuam com métodos estatísticos e computacionais são cada vez mais disputados pelas empresas

Um dos profissionais mais relevantes dos últimos anos permanece forte no mercado. O cientista de dados é capaz de analisar grandes volumes de dados gerados diariamente e transformá-los em informações relevantes. E isso é cada vez mais valorizado pelas empresas. Para se ter uma ideia, a média de salário mensal para o cargo no Brasil, segundo o site Love Mondays, é de 9 000 reais, podendo chegar a 20 000 reais.

Mas ainda falta mão de obra qualificada para ocupar o posto, com habilidades para lidar com data science, visualization, big data, inteligência artificial e machine learning. “A demanda é significativa, mas desorganizada”, explica Hedibert Freitas Lopes, Ph.D. em estatística pela Universidade Duke e professor e pesquisador do Insper.

Segundo o professor, existe atualmente uma demanda genérica por cientistas de dados. “Nisso se englobam engenheiros de dados, estatísticos, cientistas da computação etc. Atualmente, o mercado e também a academia começaram a moldar o que de fato seria o cientista de dados”, afirma.

É nesse contexto que o Insper lançou seu Programa Avançado em Data Science e Decisão (PADS). “No final do curso, os alunos do PADS estarão aptos a dar suporte à tomada de decisão, com auxílio de modelos estatísticos selecionados que expliquem um problema ou uma oportunidade de negócio e as incertezas associadas”, explica Hedibert Lopes, que é o mentor do programa. “Com esse fim em mente, os alunos serão habilitados a extrair, organizar e combinar dados, estruturados ou não, numéricos ou textuais. Finalmente, terão também capacidade de utilizar técnicas de design na formulação de problemas ou oportunidades de negócio e criação de possíveis soluções.”

Atividades práticas

O curso de especialização terá início em julho, com aulas às sextas, à noite, e aos sábados, durante o dia. É recomendado tanto aos que já atuam como cientistas de dados e desejam se aprofundar nos métodos quanto aos que estão migrando para essa área e que possuem entre três e dez anos de experiência.

“O programa é indicado a profissionais com alguma vivência de negócio e familiaridade com métodos estatísticos e/ou computacionais, em especial os que possuem formação com base quantitativa, como estatística, ciências da computação, engenharia, física, economia, administração e áreas correlatas”, afirma Eduardo Colagrossi Paes Barbosa, coordenador do Programa Avançado em Data Science e Decisão.

Serão 424 horas-aula, divididas em 260 horas de aulas, 120 de experiências práticas realizadas em laboratório e 44 voltadas a oficinas e workshops. Entre as disciplinas estão modelos preditivos, computação para ciência de dados, introdução ao design para ciência de dados, modelagem preditiva avançada e big data e computação em nuvem. O curso dura 18 meses, sendo que os últimos dois trimestres são voltados ao trabalho de conclusão de curso. Nesse estágio, os estudantes poderão desenvolver programas e funcionalidades para situações práticas, inclusive das empresas onde atuam.

“Suas disciplinas são divididas em trilhas que agrupam atividades integradoras: trilha de design, de modelagem, de dados e de processamento”, explica o coordenador do programa. “O segundo e o quarto trimestre contam com projetos integradores, que permitem ao aluno aplicar em conjunto os fundamentos aprendidos de modelagem, utilizando dados estruturados e não estruturados e técnicas de design em diferentes contextos de negócio e condições tecnológicas, de forma a propor uma solução que atenda à necessidade ou oportunidade colocada.”

Frentes de ação

A capacidade de analisar e apresentar grandes quantidades de informação é crucial para a sobrevivência de diferentes setores da economia, desde a logística até a análise de comportamento do consumidor. Para dar conta de lidar com métodos e ferramentas específicas de análise e perfis qualificados no transporte, tratamento e disponibilização da informação, surgiu a profissão de cientista de dados.

Esse profissional deve ser capaz de orientar os líderes na tomada de decisões estratégicas. Para tanto, precisa ser ativo e buscar soluções com criatividade e autonomia. Mas as instituições de ensino ainda estão desenhando seus programas de formação desse perfil tão qualificado de profissional. O Programa Avançado em Data Science e Decisão do Insper visa garantir que os alunos estejam aptos a atuar em quatro frentes.

A primeira é dar suporte à tomada de decisão, com auxílio de modelos estatísticos. A segunda consiste em extrair, organizar e combinar dados, estruturados ou não, numéricos ou textuais. A terceira aposta no desenvolvimento de sistemas de processamento de dados (incluindo larga escala) que viabilizem a análise de modelo estatístico aplicado aos dados referentes ao assunto. Já a quarta utiliza técnicas de design na formulação de problemas ou oportunidades de negócio e criação de possíveis soluções.

Os alunos formados pelo PADS encontrarão um mercado de trabalho ávido por profissionais com essa qualificação. Afinal, o mundo vive um momento de transformação digital sem precedentes. Todos os setores precisam lidar com dados massivos analisados em tempo real, provenientes de diversas fontes e com estruturas diversas.

“A ciência dos dados já é parte da tomada de decisão e de produtos e serviços de diversas indústrias, desde empresas de tecnologia até indústria financeira e do varejo. Além disso, os cientistas de dados atuam em quase todas as áreas dentro de uma empresa”, explica Eduardo Barbosa. “Como a formação desse tipo de profissional é algo recente, existe uma clara falta de oferta, tornando o mercado de contratação muito aquecido. Sem dúvida é uma das carreiras mais promissoras dos próximos anos.”