A vida dos carrancudos é mais difícil no trabalho

O sorriso facilita a realização das tarefas, ao contrário das carrancas amarradas

São Paulo – Estive envolvida em um projeto de um hospital paulista preocupado em oferecer uma interação entre funcionários, pacientes e acompanhantes que seja tão qualificada quanto a equipe médica e os tratamentos que oferecem.

Uma enfermeira de UTI me relatou que costuma interagir, cumprimentar e até mesmo cantar quando está cuidando de pacientes sedados, entubados ou até mesmo aqueles que estão em estado de coma.

E que quase todos os pacientes, quando apresentam um quadro de melhora e de consciência, costumam reconhecê-la pelo tom de voz e agradecem a ela pela música. Acho que todos agradecem mesmo é o bom astral, que contribui para a melhora do estado dos pacientes, estejam eles sedados ou conscientes.

Conheço profissionais que, por mais difíceis que as coisas andem,  seguem firmes e fortes sorrindo, com total controle de seu temperamento e de suas ações.

Outros, mais preocupados em fazer com que o mundo tome ciência de seus problemas, não costumam pensar duas vezes para chegar, logo cedo, com a carranca amarrada. Uma das regras que deveria reger nosso comportamento diz que “o meu direito termina onde o direito do meu próximo começa”.

Pense nela e trate de domar seus acessos de mau humor: você não tem o direito de azedar o dia de quem quer que seja e, menos ainda, o de alterar o bom estado de ânimo dos profissionais que fazem parte de seu cotidiano na empresa.

Não sei se vocês já repararam que a vida dos carrancudos, via de regra, costuma ser mesmo mais difícil. Acho que, de tanto cultivarem o estado de espírito ruim, com o tempo ele passa a ser a única opção que lhes resta. 

Aquela lei que diz que comportamento gera comportamento quase nunca falha, e num momento qualquer tudo passa a ser mais complicado, atendendo ao desejo daquele que só reclama!

Adoro a letra da música Smile, cujo autor é Charles Chaplin — nenhuma sofisticação gramatical, nenhuma construção inovadora, revolucionária ou bombástica. Ainda assim, uma mensagem genial e cheia de sabedoria em sua simplicidade: quando as coisas estiverem difíceis, sorria: as coisas quase sempre se resolvem mais facilmente. 

Dizem por aí que o semblante emburrado costuma causar mais rugas do que os sorrisos. Como os bons cremes geralmente custam muito caro, sorria mais: fará bem aos que o rodeiam, fará bem a você e, ainda por cima, ajudará a conservar o viço e a juventude de sua pele sem gastar rios de dinheiro.

Célia Leão escreve sobre Etiqueta corporativa. É autora de “Boas maneiras de A a Z” e consultora de etiqueta empresarial.