Cadê os médicos?

A expansão dos grandes hospitais cria novas oportunidades para os profissionais da saúde, enfermeiros e cirurgiões

São Paulo – Os grandes hospitais do país estão ampliando suas operações, seja via crescimento orgânico, seja pela aquisição de outras instituições. É o caso da rede Copa D’Or, do Rio de Janeiro, que no mês passado se juntou ao Hospital São Luiz, de São Paulo, e ao Hospital Assunção, de São Bernardo do Campo (SP).

O crescimento está relacionado ao aumento do acesso da população aos planos de saúde pagos pelas empresas, que respondem por cerca de 75% do total dos associados.

“Quanto mais companhias oferecerem esse benefício a seus funcionários, mais gente vai ter acesso aos hospitais particulares”, diz Rodolfo Milani, consultor médico da Aon Consultoria e professor colaborador da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Como efeito, estão surgindo novas oportunidades para os profissionais de saúde. 

O Hospital Albert Einstein, um dos maiores centros de referência do Brasil, está contratando. Depois de recrutar quase 500 profissionais de saúde nos últimos seis meses, o hospital ainda tem cerca de 100 vagas para serem preenchidas neste ano.

O motivo de tanta contratação está no plano de expansão do centro médico, que já faz algum tempo deixou de atender apenas na sua sede, no bairro do Morumbi, na zona sul de São Paulo, para estar presente em outras regiões da capital paulista.

“Vimos que existe uma demanda reprimida e sentimos a necessidade de estarmos mais próximos dos nossos clientes”, diz Miriam Branco da Cunha, diretora de RH. O tamanho da cidade e seus problemas de congestionamento no trânsito também ajudaram nessa decisão. 


Depois de inaugurar em agosto a unidade avançada de atendimento na zona oeste da cidade, o Einstein planeja outras ampliações. “Também estudamos a possibilidade de irmos para outros estados”, revela Miriam. Mas crescer e continuar sendo referência não é uma tarefa fácil quando existe um problema de qualidade e quantidade de profissionais disponíveis no mercado.

O Brasil forma por ano cerca de 10.000 médicos. “Temos dificuldades para contratar alguns especialistas, como os de saúde da família, para atender nossas parcerias públicas, e também profissionais para as áreas de imagem e transplantes”, afirma Miriam. 

Outras instituições médicas de referência também enfrentam esse problema. “Em alguns momentos nos deparamos com demandas de mercado para posições médicas especializadas em pediatria, emergência e terapia intensiva”, diz Marcos Monteiro, diretor de RH da rede Copa D’Or.

“Da mesma forma, observamos demandas por profissionais de enfermagem com especialização em pediatria, centro cirúrgico e central de esterilização de material.” Em Recife (PE), o Real Hospital Português de Beneficência tem dificuldade de contratar pediatras, nefrologistas e uteístas.

O mesmo problema é compartilhado pelo Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre (RS), que nos últimos seis meses está com uma demanda frequente por médicos emergencistas, pediatras e do Programa Saúde da Família. “Estamos ampliando e temos dificuldade de achar profissionais dessas áreas”, afirma Flávia Caroline Zanardo, analista de RH.

O Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, prevê dobrar de tamanho nos próximos cinco anos com a construção de um hospital em Campinas, no interior paulista, duas unidades de atendimento na zona sul de São Paulo — uma delas inaugurada neste mês — e a ampliação do complexo hospitalar, com duas novas torres, de 20 e 12 andares cada.

Mas o maior problema do Sírio-Libanês é achar enfermeiros e técnicos de enfermagem. “Vamos precisar de 600”, conta Fábio Patrus, superintendente de gestão de pessoas e qualidade. Para sanar esse problema, a estratégia desse e de outros hospitais será formar recursos próprios. “É por isso que em 2011 teremos residência em enfermagem nos moldes da residência médica”, adianta Fábio.