“Cabe muitas análises” ou “cabem muitas análises”? Professor explica

Segundo Diogo Arrais, a inversão das orações acaba dificultando na hora de escrever o verbo "caber" da maneira correta

Com o avanço deste tipo de coronavírus, a Covid-19, andam sendo muito comuns mensagens muito desordenadas, repletas de desvios gramaticais, ambiguidades, gerando ruídos a marcas, profissionais e carreiras. Vejamos, por exemplo, as inversões, a concordância e o verbo caber.

CABER, do latim capere, é alvo de inúmeras inadequações, principalmente quando há a inversão:

“Cabe muitas análises neste processo da Lava-Jato.”

“Diante do resultado, não cabe reclamações ao time paulistano.”

Nos dois exemplos acima, o verbo deveria estar no plural, concordando com o sujeito:

“Cabem muitas análises neste processo da Lava-Jato.”

“Diante do resultado, não cabem reclamações ao time paulistano.”

Apesar disso, o verbo ficaria no singular se o sujeito da oração fosse uma oração. O gramático Domingos Paschoal Cegalla sugere dois exemplos:

“Se a decisão do juiz foi justa, não cabe fazer reclamações.”

“Investigar essas irregularidades cabe ao poder público.”

Herberto Sales, em Rio dos Morcegos, redige assim:

“Se Cesaltino preferia não falar sobre seus parentes, haveria de ter para isso os seus motivos, que nos cabia discutir nem saber quais eram.”

Em época de quarentena, caro leitor, é tomar bastante cuidado com todas as declarações a serem publicadas. Sempre que puder, revise.

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DIOGO ARRAIS
http://www.ARRAISCURSOS.com.br
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Professor de Língua Portuguesa
Fundador do ARRAIS CURSOS