Bot reduz até 40% do expediente monitorando o seu computador

A McKinsey está automatizando a automação nas tarefas administrativas

Imagine um bot em seu computador do trabalho que monitore cada vez que você pressione uma tecla ou faça um clique, e assim determine quais de suas tarefas poderiam ser realizadas por um de seus irmãos robôs.

Chame isso de automatizar a automação. É a estreia da McKinsey na automação de processos robóticos, com a invasão dos “robôs” de chão de fábrica nos cubículos de escritório. Com o avanço das tecnologias, os programas conseguem executar tarefas cognitivas realizadas por humanos de modo mais fácil e mais barato.

A tecnologia está transformando tarefas administrativas em todo o mundo, inclusive nos centros de processamento de negócios das Filipinas em outros países, que empregam mais de um milhão de pessoas e geram receita anual equivalente a cerca de 7,5% do PIB do país. A inovação pode levar muitas pessoas a perderem seus empregos, mas, como a McKinsey destacou em um relatório no início do ano, também poderia ajudar as empresas a se manterem competitivas e até mesmo a conquistar uma fatia maior do mercado.

Se os bots ainda não chegaram ao seu escritório, é apenas questão de tempo. A equipe digital da McKinsey tem números de sobra que mostram como o AutoMate, como o software é chamado, pode melhorar os ganhos de uma empresa: o programa reduz as horas de trabalho manual necessárias em certas funções em diversos setores entre 20% e 40%. A maior velocidade com a qual as pessoas podem abrir contas bancárias, por exemplo, oferece uma vantagem competitiva que se traduz em aumento de receita de 5% a 10%, diz a McKinsey.

A equipe começou a usar o AutoMate em seu próprio escritório em Chennai, na Índia, no ano passado, e a tecnologia está sendo implantada na Polônia e para clientes selecionados principalmente em telecomunicações, serviços financeiros e manufatura avançada.

Pascal Bornet, sócio associado da McKinsey, de Cingapura, diz que o AutoMate surgiu da necessidade. Apenas 20% do trabalho global é industrial, com mão de obra manual – os outros 80% podem ser alvo da próxima onda de automação, o que deve acelerar os processos de serviços, como a solicitação de uma hipoteca, disse.

Ainda assim, Bornet avisa que as pessoas não precisam ter medo.

“A automação sempre criou mais empregos do que destruiu”, afirmou.