Aos 25 anos é a hora das experiências

A partir dos 20 anos, o profissional tem um grande desafio: descobrir se está ou não no caminho certo. Nessa fase, os gatilhos da mudança são a vontade de experimentar e de dar significado ao trabalho

São Paulo – Mesmo com o diploma da universidade nas mãos, os jovens ainda não têm certeza de estar no rumo certo. “Por ter escolhido a faculdade na adolescência, eles estão cheios de dúvidas”, diz Maria Estela Pires, gerente de desenvolvimento de carreiras do Insper, escola de negócios de São Paulo.

A turma dos 20 anos está definindo seus valores e motivações, fatores fundamentais para se certificar do caminho a seguir. Apesar de ser um período de dúvidas, também é a melhor hora para saná-las. Nessa fase, o profissional pode experimentar e arriscar. O jovem ainda não está preso a obrigações pessoais, como família, e tem mais disposição para aprender e se adaptar a um novo ambiente.

“Ele só tem a ganhar se arriscar logo cedo, pois consegue circular por diversos setores”, diz Gil van Delft, diretor da consultoria Page Personnel.

Se você está indeciso sobre em que área atuar, uma boa estratégia é investir, desde a faculdade, em programas de estágio. “Passar de seis meses a um ano como estagiário num setor ajuda a descobrir que carreira seguir”, diz Gil. Os programas de trainee, que estimulam os funcionários a rodar por diferentes departamentos durante um ou dois anos, auxiliam na decisão.

Há ainda empresas como a Procter & Gamble que possuem programas estruturados que permitem aos jovens experimentar outra área de atividade sem deixar o cargo que ocupam. Ao final da experiência, se a pessoa for bem avaliada, tem a oportunidade de mudar de setor.

Se você não tem essa opção e está considerando mudar de emprego ou de área, converse com um colega mais experiente ou com o profissional de RH, caso haja abertura para isso. Um lembrete para quem pensa que testar várias carreiras é perigoso: passar por companhias e áreas diversas não mancha o currículo como no passado. 


“Os recrutadores valorizam profissionais que buscaram bases diversificadas para seu desenvolvimento”, diz Monica Ramos, diretora da consultoria de recolocação CTS by DBM, de São Paulo.

O importante é fechar um ciclo antes de mudar de trabalho. Isso significa ter uma história profissional com começo, meio e fim na companhia. Pode ser a concretização de um projeto, o lançamento de um produto ou o desfecho de uma campanha. Regra de ouro antes da transição: pesquisar sobre a nova área é fundamental.

Consulte sites especializados, leia reportagens sobre o setor a que aspira e siga o Twitter de gente que é referência. Porém, nada substitui o contato pessoal. O administrador de empresas paulistano Newton Queiroz, de 29 anos, conversou bastante com profissionais mais velhos quando recebeu uma proposta para mudar de setor dentro da seguradora Aon.

No ano passado, Newton foi sondado para deixar a área de resseguros e atuar como diretor de óleo e gás. “Entender os detalhes do setor tem sido importante para minha transição”, diz. 

O engenheiro que virou RH 

Pedro Collier, de 27 anos, entrou como trainee na Whirlpool Latin America, multinacional que fabrica as linhas Consul, Brastemp e KitchenAid, quando tinha 23 anos. Recém-saído do curso de engenharia química da Universidade Federal de Minas Gerais, ele escolheu a empresa baseado em seus valores pessoais.

“A Whirlpool me atraiu por sua preocupação com a meritocracia, algo que é importante para mim”, diz. Assim que ingressou no programa de trainee, Pedro recebeu aconselhamento de carreira e foi apresentado a todas as áreas da companhia. Quando soube das atribuições de recursos humanos, seus olhos brilharam.

“Na faculdade, nunca imaginei que RH seria a área na qual gostaria de atuar”, diz. Antes de ocupar a posição atual de especialista de RH, na qual está há seis meses, Pedro passou por suprimentos e finanças — setores pelos quais também tinha interesse. Mas sempre sinalizou para os chefes que sua paixão era gestão de pessoas. “Depois de descobrir a área, passei a estudar sobre o assunto nas minhas horas vagas e deixei meu diploma de lado”, diz.