A Nasa brasileira

Chilenos, indianos, russos e brasileiros — essa é a salada cultural do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), com sede em São José dos Campos, interior de São Paulo. Dos mais de mil funcionários, há quase 400 cientistas que escolheram fazer carreira desenvolvendo pesquisas espaciais e atmosféricas.

Lá também se encontram salários baixos se comparados à iniciativa privada. Um pesquisador com doutorado pode ganhar no máximo 8,2 mil reais. Outras queixas comuns a instituições públicas de pesquisa também são encontradas: as instalações às vezes são acanhadas e o dinheiro nem sempre chega, entre outras reclamações. Mesmo assim,

há sempre gente estendendo o mestrado (o Inpe oferece programas de pós-graduação) na esperança de que um concurso público permita continuar o trabalho ali. Por quê? Márcio Barbosa, ex-presidente do instituto, responde. “Recebi vários convites da iniciativa privada ao longo dos mais de 12 anos de carreira no Inpe, mas nunca aceitei”, diz ele. “Achava que meu trabalho era desafiador e sempre tive oportunidade de crescimento.” Mais uma vez, o prestígio da instituição, aliado às chances de desenvolver projetos únicos no país — Barbosa ajudou a introduzir a tecnologia de sensoriamento remoto por satélite no Brasil –, falou mais alto que o salário.

Graças ao sucesso internacional do instituto, Barbosa é hoje diretor mundial da Unesco, na França.