5 “muletas linguísticas” muito comuns no português falado

Professor Diogo Arrais, do Damásio Educacional, cita algumas expressões da moda que são verdadeiras "muletas linguísticas" do português falado

Você já ouviu falar de “muletas linguísticas”? São expressões classificadas como cacoetes; expressões da moda. Por dependerem do uso, muitas vão e vêm.

1. Tipo

Costumo ironizar que a palavra “tipo”, na fala, acabou se transformando na pontuação pós-moderna da geração “zap-zap”: 

“Hoje (tipo) eu (tipo) busco a independência (tipo) financeira.”

Há sim a chamada liberdade do informalismo, mas a questão perigosa concentra-se no uso das “muletas” na situação profissional. É possível que o cidadão, à primeira vista, não se encaixe no “tipo” profissional.

2. Meio que

Quem nunca ouviu a vazia expressão “meio que”? Em uma rápida pesquisa por microblogs, centenas de registros como:

“A gente vive em um país (meio que) ditatorial.”

Principalmente na escrita, nota-se a ineficiência de “meio que”.

3. Tipo Assim

Lembremo-nos, também, da moda do “tipo assim”. Em uma mensagem eletrônica, corporativa, um gerente (acredite!) registrou:

“Hoje, (tipo assim), acordei às 6 da manhã.”

Houve excelente uso da pontuação e do acento grave, mas “tipo assim”, formalmente, não possui valor algum.

4.Cara

E o conhecido vocalista de um grupo brasileiro completamente viciado no termo “cara”?

“Brasília, (cara), é uma terra, (cara), de poetas, (cara)!”

O uso excessivo dessa muleta ganhou tanta repercussão que o sujeito foi satirizado pelos caminhos rancorosos da Internet.

No entanto, existem usuários da Língua que não se preocupam com as vertentes da língua-padrão. Ratifico: tudo é uma questão de objetivo, de expressão e de sociabilidade. 

5. Gerundismo

Pode-se dizer hoje, com veemência, que vários clientes irritam-se com a moda do gerundismo, daqueles locutores do “a gente vai estar verificando…”.

Por quê? Justamente porque o atendimento telefônico, entre cliente e empresa, subentende o critério profissional, da objetividade, da eficácia.

Parafraseando diversos gramáticos e linguistas, o ideal é que sejamos poliglotas em uma mesma Língua.

Um abraço, até a próxima e siga-me pelo Twitter!

 

Diogo Arrais
@diogoarrais
Professor de Língua Portuguesa – Damásio Educacional
Autor Gramatical pela Editora Saraiva