2 notícias de duplo sentido sobre prisão de Lula e de amigos de Temer

Professor Diogo Arrais analisa sentenças ambíguas que apareceram no noticiário sobre a prisão do ex-presidente Lula e de amigos do presidente Michel Temer

Diz o noticiário:

“Chegou a vez do amigo de Temer, que parece infeliz.”

No estudo linguístico, o duplo sentido em uma construção é chamado de anfibologia ou ambiguidade. É o que resulta em mais de uma interpretação de significado para um agrupamento de vocábulos.

Pergunta-se: quem parece infeliz? Temer ou o amigo dele?

A fim de haver a clareza na mensagem, é preciso reconstruir:

“Chegou a vez do amigo de Temer. O presidente parece infeliz.”

ou

“Chegou a vez do amigo – aparentemente infeliz – do presidente Michel Temer.” 

Se houvesse substantivos de gêneros distintos, a ambiguidade poderia ser desfeita com o uso do relativo “o qual” ou “a qual”. Vejamos:

“Chegou a vez da amiga de Temer, a qual parece infeliz.”

ou

“Chegou a vez da amiga de Temer, o qual parece infeliz.” 

Encontrei mais esta sentença ambígua:

“Ana Cañas encontra-se com cúpula do PT, que está animada com o possível habeas corpus de Lula.”

 Agora, tanto “Ana Cañas” quanto “cúpula” pertencem ao gênero feminino. A extinção da ambiguidade só será possível com a troca de posição do trecho “que está animada com o possível habeas corpus“:

“Ana Cañas, que está animada com o possível habeas corpus de Lula, encontra-se com cúpula do PT.”

Ou

“Cúpula do PT, que está animada com o possível habeas corpus de Lula, encontra-se com Ana Cañas.”

 O relativo “que”, apesar de ser útil ferramenta para a fluidez textual, pode causar confusão quando houver dois ou mais referentes. O ideal é revisar o texto; na dúvida, reordene as ideias ou reconstrua toda a sentença, uma vez que não adianta sintetizar prejudicando a clareza da mensagem.

Um abraço, até a próxima e inscreva-se no meu canal!

 

Diogo Arrais

YouTube: MesmaLíngua

Autor Gramatical pela Editora Saraiva

Professor de Língua Portuguesa