Violência em protesto foi lamentável, diz governador do PR

A ação da polícia durante o protesto contra alterações na Previdência estadual deixou em torno de 200 feridos

Brasília – O governador do Paraná, Beto Richa, divulgou nota hoje (8), por meio do Facebook, sobre a manifestação de servidores – a maioria professores – no último dia 29, em Curitiba, na qual ressalta que a violência policial na repressão ao ato foi  “lamentável sob todos os lados”.

A ação da polícia durante o protesto contra alterações na Previdência estadual deixou em torno de 200 feridos.

Hoje, dez dias depois do episódio, foi a primeira vez que o governador paranaense se manifestou publicamente sobre o fato. Na nota, ele destaca a troca de secretários, sem citar nomes.

Os secretários de Segurança Pública, Fernando Francischini, e de Educação, Fernando Xavier, pediram demissão. O comandante-geral da Polícia Militar (PM), Cesar Vinicius Kogut, também pediu exoneração.

O governador diz na nota que está sofrendo com o episódio, e ressalta que “toda e qualquer forma de violência deve ser repudiada”.

“A verdade é que o confronto nunca é desejável. Principalmente para quem, como eu, cultiva valores éticos e cristãos. Sempre acreditei que o respeito às ideias divergentes é um dos pilares da democracia e não posso concordar jamais com atitudes que coloquem em risco a vida de alguém. Venha de onde vier, a violência e a intolerância são sempre condenáveis”, observou.

Richa pede “humildemente a compreensão” da população paranaense, e defende as mudanças na Previdência, alvo dos protestos. “Para que você tenha uma ideia, mesmo com a mudança, o estado vai continuar gastando R$ 380 milhões por mês com o pagamento de 106 mil aposentados e pensionistas. Já a contribuição dos servidores continuará sendo de R$ 75 milhões por mês”.

O projeto aprovado pela Assembleia Legislativa, durante o protesto, e sancionado pelo governador 24 horas depois, tira 33 mil aposentados com mais de 73 anos do Fundo Financeiro sustentado pelo Tesouro estadual, que está deficitário, e os transfere para o Fundo de Previdência estadual, pago pelos servidores e pelo governo, que está superavitário.

A medida, segundo o governo, vai gerar economia de R$ 125 milhões mensais aos cofres públicos. Os professores são contra, e argumentam que a iniciativa compromete a saúde financeira do fundo, que terá de pagar mais do que arrecada, prejudicando a aposentadoria dos servidores para “salvar as contas do governo”.

“Não pouparei esforços para restabelecer o diálogo com os servidores e com a sociedade paranaense, porque é nisso que eu acredito, no entendimento, na busca do bem comum”, disse Richa.