Vigilantes do município do Rio encerram greve após 48 dias

Para o diretor do Sindicato dos Vigilantes, a greve serviu para mostrar à categoria que lutar contra as empresas buscando melhorias nem sempre é fácil

Rio de Janeiro – Após 48 dias de paralisação, os vigilantes do município do Rio de Janeiro decidiram em assembleia realizada hoje (11) na sede do sindicato, encerrar a greve da categoria.

A maioria dos trabalhadores votou pelo fim da greve, já que não há previsão do dissídio coletivo ser julgado pelo Tribunal Regional do Trabalho do Rio do Janeiro (TRT-RJ) e por entenderem que a manutenção da greve estava indo de encontro aos interesses de bancários, impedidos de trabalhar por falta de segurança nas agências.

Os vigilantes voltarão ao trabalho amanhã (11). Com o fim da greve, a categoria aprovou a proposta do Sindicato das Empresas de Segurança Privada do Rio de Janeiro (Sindesp-RJ), que prevê reajuste salarial de 8% e tíquete-refeição de R$ 13 retroativos a março deste ano, além de nenhuma punição ou desconto de dias dos grevistas e diária de R$ 100 para vigilantes que trabalharem em eventos, exceto os da Copa do Mundo.

A categoria pedia 10% de aumento, vale-refeição de R$ 20, além do adicional de risco de vida de 30%.

Para o diretor do Sindicato dos Vigilantes, Sebastião Neto, a greve serviu para mostrar à categoria que lutar contra as empresas buscando melhorias nem sempre é fácil.

“É muito difícil ir contra o sistema, basta olhar a dificuldade para o TRT marcar o julgamento. No acordo, também garantimos o direito que reabrir a negociação em setembro. Vamos continuar lutando. Durante a greve, demonstramos muita luta, esforço para unir a nossa categoria e como resultado vimos um movimento muito bonito e pacífico do início ao fim”, avaliou.

Já os 1,2 mil vigilantes que irão trabalhar na segurança do Estádio do Maracanã e nos hotéis onde as delegações estarão hospedadas durante a Copa do Mundo conseguiram fechar o acordo pleiteado com a empresa Sunset, ganhadora de licitação da Fifa para fazer a segurança privada durante o Mundial.

O acordo prevê R$ 15 por hora trabalhada, vale-refeição de R$ 14 e vale-transporte de R$ 6. “Fomos negociando, e depois de bater o pé, a empresa cedeu”, explicou Neto.

O Sindesp-RJ informou, em nota, que entrou em acordo com a categoria na manhã desta terça-feira.

De acordo com o presidente do sindicato patronal, Frederico Crin, o pedido de 30% de adicional no salário-base por risco de vida atualmente é inviável e “em 2013 foi acordado o aumento do adicional de periculosidade, como uma alternativa ao pagamento pelo risco de vida”.

O sindicato patronal disse que não irá descontar os dias em que os grevistas ficaram afastados das funções.