Vídeo 360 graus mostra superlotação dos presídios brasileiros

Em 2014, déficit de vagas no sistema carcerário brasileiro era de 250 mil; campanha faz abaixo-assinado por melhores condições nas cadeias

São Paulo – Um vídeo produzido pela Rede Justiça Criminal, formada por oito organizações não governamentais, mostra a realidade das celas dos presídios brasileiros: a superlotação.

A gravação em 360 graus, que foi filmada em uma reconstituição de cela com figurantes e duas pessoas que já haviam passado pelo cárcere privado, faz parte da campanha “Encarceramento em Massa não é Justiça”, que busca assinaturas para cobrar a adoção de políticas públicas para os problemas no sistema prisional.

Nos últimos 14 anos, o número de presos no sistema penitenciário do Brasil cresceu 167%, de acordo com o último levantamento do Ministério da Justiça, divulgado no final de 2016 com dados de 2014.

O problema é que os presídios brasileiros possuem apenas 371,8 mil vagas, mas abrigam, com sufoco, mais de 622,2 mil presos.

“Vinte e cinco pessoas vivendo dentro desse lugar aqui. Talvez um cachorro lá na rua tenha mais espaço do que a gente”, diz um dos egressos no vídeo.

Em menos de 48 horas, a gravação publicada na página do Facebook da ONG Conectas Direitos Humanos, que faz parte da organização, somou mais de 7,8 milhões de visualizações e 48,7 mil compartilhamentos na rede social.

A campanha também criou um site com histórias reais e dados sobre as prisões brasileiras.

 

Crise dos presídios

Já em janeiro deste ano, o Brasil enfrentou uma forte crise nas penitenciárias do país. Com mais de 130 mortos, os confrontos dentro dos presídios superaram até o massacre do Carandiru, em 1992, quando uma intervenção da Polícia Militar de São Paulo deixou 111 presos mortos.

A crise colocou em debate as elevadas taxas de superlotação nas cadeias.  O levantamento do Ministério da Justiça, porém, traz uma pista sobre como reduzir o problema. 

Em dezembro de 2014,  quando foi feito o estudo, o Brasil operava com uma taxa de ocupação de 67% acima de sua capacidade máxima. Naquele momento,  a quantidade de presos provisórios (que ainda não tinham sido julgados) era equivalente ao tamanho do déficit de vagas no sistema prisional: exatamente 249.668 detentos estavam nessa situação.

Ao menos quatro estados brasileiros poderiam praticamente zerar o problema da superlotação carcerária se reduzissem pela metade o número de presos provisórios com apenas uma mudança – veja qual é ela

*Colaborou: Talita Abrantes

Comentários

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  1. Indíviduos que vivem em carceres privados não podem reclamar que não tem espaço, pois no momento em que eles cometeram os delitos perderam seus direitos. Malditos direitos humanos! Defendem os bandidos, mas o pai de família que fora honesto não comentam!

    1. Thiago Crica

      Pois é… passa na TV o tempo todo a superlotação nas cadeias, não é novidade pra ngm… mas mesmo assim o cara sai de casa para fazer besteira… entendo o cara passando dificuldade e num momento de desespero tentar furtar e ser preso … mas na maioria dos casos não era momento de desespero.

  2. Jonathas Cardozo

    Coloquem uma câmera dessas nos hospitais, até os particulares estão super lotados.
    Coloquem em creches e escolas onde 1 professor cuida do dobro de alunos que a lei permite.
    Coloquem nas casas das vítimas de violência, coloquem nas grades dos condomínios que prendem nós que somos pessoas de bem.
    Se teve espaço pra câmera, era pq tinha espaço pra mais um criminoso.

  3. Claudio Bandeira

    É só não matar, não roubar, não estuprar que você não vai ficar num aperto desses! Acabou, p****!