Uruguai nega asilo a ativistas que alegam perseguição

Uruguai negou o asilo político aos três ativistas acusados de formação de quadrilha pela participação nos protestos no Brasil ano passado

Rio de Janeiro – O Uruguai negou o asilo político aos três ativistas acusados de formação de quadrilha pela participação nos protestos que atingiram o Brasil ano passado.

Os três foram informados ontem à noite de que o governo do Uruguai não concederia o asilo e deixaram o consulado com rumo desconhecido apesar de a polícia ter tentado entrar na sede diplomática para tentar cumprir as ordens de prisão, disse a deputada estadual Janira Rocha (PSOL), que os acompanhava nas gestões.

A advogada Eloísa Samy foi ontem ao consulado do Uruguai no Rio de Janeiro acompanhada de David Paixão e de Camila Nascimento em busca de asilo depois de uma ordem judicial revogar o habeas corpus concedido a eles após passarem cinco dias presos semana passada.

De acordo com Janira, a consulesa do Uruguai no Rio de Janeiro, Miriam Fraschini, explicou aos ativistas que o governo uruguaio respeita o estado democrático de direito e o Poder Judiciário no Brasil e não considera justificável o pedido de asilo político.

A legisladora acrescentou que, sem a presença da polícia em frente ao consulado, os três deixaram o edificação com rumo desconhecido e ainda não sabem se se entregarão ou esperarão a resposta da justiça a um novo pedido de habeas corpus.

Os três são acusados pelo Ministério Público de formação de quadrilha por causa da participação em grupos que teriam promovido os atos violentos durante as manifestações por melhores serviços públicos.

Samy foi detida em um protesto na véspera da final da Copa do Mundo, quando a justiça ordenou a prisão de 23 ativistas.

Paixão e Nascimento não foram detidos, mas também há um mandado de prisão preventiva pelos mesmos motivos.

Até hoje, só cinco dos acusados em 12 de julho permanecem presos e os outros 18 estão foragidos.

A advogada disse à agência Efe que decidiu solicitar asilo por sentir-se uma perseguida política e por estar sendo tratada como uma terrorista apesar de apenas ofereceu assistência jurídica a alguns manifestantes.

Segundo a ativista, nos cinco dias que passou na prisão as condições foram “horríveis”; compartilhou cela com outras sete mulheres; só receberam “uma toalha e três cobertores para todas” e não havia talheres para comer.

David Paixão esteve preso várias vezes por participação nos protestos e sempre foi defendido por Samy, que adotou o jovem após comprovar que não tem família.

O juiz Flávio Itabaiana de Oliveira Nicolau, do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, decretou a prisão preventiva de 23 dos ativistas ao alegar que eles significam um “risco para a ordem pública”.

Segundo a promotoria, os acusados integravam um grupo que adquiria material explosivo para promover atos violentos durante as manifestações.

A detenção dos ativistas, na véspera da final do Mundial, foi duramente criticada por organizações de direitos humanos e pela Ordem dos Advogados do Rio de Janeiro, que as consideraram “arbitrárias” e “intimidatórias”.