Delcídio: a Lava-Jato volta à tona

Nem só de impeachment vive o Congresso. Estão marcadas para hoje, nos Conselhos de Ética da Câmara e do Senado, audiências com dois alvos cruciais da Operação Lava-Jato e figuras essenciais para entender o momento que o Brasil vive.

Na Câmara, o processo de cassação do presidente Eduardo Cunha finalmente deve avançar com o depoimento do operador Fernando Baiano. Em novembro, Baiano fez um acordo de delação premiada em que, entre outros crimes, disse que montou, juntamente com Cunha, estratégias para cobrar 16 milhões de dólares em propina do lobista Júlio Camargo. Hoje, Baiano poderá contar detalhes das operações, o que aumentaria ainda mais a pressão sobre o presidente da Casa.

Os aliados de Cunha preparam diversos questionamentos para desqualificar o depoimento. Devem também usar a decisão do vice-presidente da Casa, Waldir Maranhão, de que o Conselho só pode investigar a suposta mentira do peemedebista sobre não ter contas na Suíça.

No Senado, paira uma grande dúvida. Pode ser a vez — após três adiamentos — de o senador Delcídio do Amaral fazer sua defesa no processo que prevê a perda de seu mandato. O depoimento é um dos mais aguardados por governistas e opositores, já que o senador, ex-líder do governo, é uma figura-chave para entender o papel do Planalto em tentativas de abafar a Lava-Jato. Sua explosiva delação premiada já foi homologada pelo Supremo.

Mas o senador pode não aparecer, mais uma vez. Com isso, o processo seguirá e Delcídio poderá perder o mandato em até 15 dias. É um cenário em tese muito ruim para o senador, que o faria passar para a instância do juiz Sergio Moro. Por isso, cresce a tese de que Delcídio estaria costurando um acordo com o PSDB para recuar nas acusações contra Aécio Neves, citado em sua delação premiada, e voltar a atacar Dilma Rousseff.

“Eles já foi chamado três vezes. Ora está passeando de moto na avenida Paulista, ora no New York Times, ora no Jornal Nacional. Se ele não aparecer mais uma vez, quem defender um novo adiamento estará costurando uma acordo para salvá-lo”, afirma o senador Randolfe Rodrigues, da Rede, titular do Conselho. O depoimento está marcado para as 14h30.