Uma batalha em Brasília

As manifestações em Brasília pela saída do presidente Michel Temer, contudo, descambaram para a violência nesta quarta-feira. O presidente autorizou o uso das Forças Armadas para “garantia da Lei de da Ordem”. A medida é tão rara que ninguém quis assumir a autoria. A convocação, segundo o governo, partiu do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, mas ele respondeu que pediu auxílio da Força Nacional, e não do Exército.

Durante a tarde, o prédio do Ministério da Agricultura teve uma área incendiada. Manifestantes também tentaram invadir o Ministério da Ciência e Tecnologia e da Fazenda. Neste último, com paus e mastros de bandeiras, quebraram o vidro do edifício e foram retirados por integrantes da Força Nacional, que fazem agora um paredão para proteger o local. Outros ministérios foram alvos de depredação. Os prédios foram esvaziados por precaução.

A Polícia Militar usou bombas de efeito moral contra os manifestantes que devolveram com o lançamento de objetos, como garrafas de água e pedaços de madeira, e ateando fogo em barricadas. O clima quente chegou à Câmara. Parlamentares da oposição criticam a atuação da polícia e tentaram obstruir a sessão da Câmara. Eles ocuparam a Mesa Diretora erguendo uma faixa com os dizeres “Fora Temer” e pediram, em coro, a saída do presidente da República e eleições diretas.

O grupo alegou que, na última quarta, Rodrigo Maia encerrou a sessão cinco minutos após saber das denúncias contra Temer, mas agora manteve os trabalhos com a “praça de guerra” na Esplanada. “Se o próprio presidente da Câmara pediu intervenção federal, como podemos fazer de conta que está tudo bem e simplesmente continuar com os trabalhos na Câmara?”, afirmou o deputado Glauber Braga (PSOL-RJ).

Neste momento, 1.200 militares monitoram as ruas da capital.