TSE quer entender erros nas pesquisas eleitorais, diz jornal

Presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Fernando Dias Toffoli estuda mudar regras de pesquisas eleitorais após erros no primeiro turno

São Paulo – Com o fim das eleições se aproximando, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Fernando Dias Toffoli, afirmou que quer conversar com os institutos de pesquisa sobre a metodologia e as regras para divulgação dos levantamentos de intenção de voto.

A iniciativa vem após o primeiro turno ter apresentado nas urnas resultados bem diferentes dos previstos nas pesquisas.

“Vamos chamar os institutos para entender o que aconteceu. A primeira coisa que queremos é conhecer melhor, pois não foram erros pontuais, e nem contra o partido A ou o partido B, mas erros sobre diversos resultados”, afirmou o ministro em reportagem publicada hoje no jornal Folha de S.Paulo.

Uma questão já levantada pelo ministro é a diferença na margem de erro de cada pesquisa. “Talvez isso devesse ser padronizado para evitar que se compare alhos com bugalhos”, disse. Outro ponto que pode ser debatido é o prazo para divulgação da pesquisa.

O primeiro turno das eleições teve várias disputas com resultados diferentes do que os divulgados pelas pesquisas eleitorais.

Um dos casos mais discrepantes ocorreu no Rio Grande do Sul, onde o candidato do PMDB, José Ivo Sartori, aparecia em terceiro lugar, com 23% das intenções de voto. Sartori ficou em primeiro lugar no estado, com 40,4% dos votos. Ele disputa o segundo turno com o governador Tarso Genro (PT), candidato à reeleição.

Já no Rio de Janeiro, o candidato Garotinho (PR) aparecia como segundo colocado nas pesquisas, com 27% das intenções de voto. No entanto, após a votação, Garotinho ficou com 19,7% e foi ultrapassado por Marcelo Crivella (PRB), que agora disputa o segundo turno com Luiz Fernando Pezão (PMDB).

Para especialistas, é importante ter clareza de que as pesquisas de intenção de voto não são um retrato do que acontecerá nas urnas. “A pesquisa capta o momento, é uma sondagem da opinião pública. É inaceitável que ela seja vendida como algo infalível e como substituta da eleição”, afirmou Victor Trujillo, professor de marketing eleitoral da ESPM, em entrevista a EXAME.com logo após o segundo turno.

Assim como nos estados, o resultado do primeiro turno na eleição para presidente também foi diferente do que havia sido previsto nas pesquisas. Aécio Neves (PSDB) tinha 24% das intenções de voto na última pesquisa divulgada no primeiro turno. Na votação, o tucano ficou com 33% dos votos.

Agora, no segundo turno, a última pesquisa Datafolha, divulgada na terça-feira, mostrou empate técnico entre Dilma Rousseff e Aécio Neves – a petista aparece com 52% enquanto o tucano ficou com 48%. Com a margem de erro, pode-se considerar empate. Resta saber se as pesquisas desta fase das eleições estarão mais próximas do resultado final do que as divulgadas no primeiro turno.