TSE decide futuro de Temer

Os sete ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) estão reunidos na noite desta terça-feira para julgar o maior caso de sua história. São 7.942 páginas, divididas em 27 volumes, que trazem provas documentais, depoimentos, argumentos da acusação, da defesa e do Ministério Público sobre a suspeita de que a chapa formada por Dilma Rousseff (PT) e Michel Temer (PMDB) cometeu abuso de poder político e econômico para vencer as eleições de 2014. Os ministros vão decidir, em quatro sessões entre hoje e quinta-feira, se há indícios suficientes para cassar o atual presidente e tornar inelegível a ex-presidente. O presidente da Corte, Gilmar Mendes, disse ao chegar ao tribunal que espera um “bom julgamento”.

Caso a chapa seja impugnada, o presidente Temer, que assumiu após o impeachment de Dilma, terá de deixar o cargo. Sua defesa, no entanto, já afirmou mais de uma vez que vai tentar de toda forma manter o presidente no cargo, inclusive recorrendo da possível decisão no Supremo Tribunal Federal. Os advogados afirmaram hoje que esperam que a Corte tenha uma “decisão técnica”, “alheia a pressões” e que o resultado final sejam a absolvição e a manutenção dele no cargo.

O esquema de segurança ao redor do TSE é forte. Caminhões do Corpo de Bombeiros e carros da Polícia Militar isolam as proximidades do tribunal. Também participam do patrulhamento unidades do Batalhão de Choque e da Rotam. São pelo menos 4.000 policiais no local e o plenário foi vistoriado inclusive por cães farejadores à procura de bombas.

O presidente desistiu de participar da solenidade de inauguração da nova sede do Conselho Nacional do Serviço Social da Indústria (Sesi), em Brasília, que acontecerá nesta terça-feira, às 19 horas, mesmo horário em que o TSE vai começar o julgamento que poderá cassar seu mandato. De manhã, auxiliares do presidente minimizavam a coincidência e diziam que Temer estava apenas mantendo compromissos previamente agendados. É grande a possibilidade de que algum dos sete ministros peça vistas do processo para ter mais tempo para análise. Isso paralisaria a ação por tempo indeterminado.