Trump é chato e continuam indo pra Disney, diz secretário de turismo de SP

Vinicius Lummertz disse que discorda das declarações de Bolsonaro, mas que “a imagem do Brasil para o público LGBT não é só isso. É um público sofisticado"

São Paulo – Vinicius Lummertz, secretário de Turismo do estado de São Paulo, não acha possível concluir que os comentários homofóbicos de Jair Bolsonaro terão efeito negativo sobre a vinda de turistas internacionais LGBT.

O presidente disse em conversa com a imprensa em 25 de abril que “quem quiser vir aqui fazer sexo com uma mulher, fique à vontade. Agora, não pode ficar conhecido como paraíso do mundo gay” pois “temos famílias”.

A fala repercutiu internacionalmente em veículos como The Guardian, BBC, Reuters, Fox News e Independent, entre outras.

“O Trump é um cara chato, mas as pessoas continuam indo pra Disney, Nova York e Miami. Você pode não concordar e ir”, relativizou Lummertz em conversa com a imprensa durante o Fórum de Turismo LGBT realizado na tarde desta quinta-feira (06) em São Paulo.

Lummertz foi Secretário Nacional de Políticas no Ministério do Turismo entre 2012 e 2015 e presidente da Embratur entre 2015 e 2018.

Ele diz que havia, na sua gestão, monitoramento do impacto internacional sobre turistas de declarações e temas específicos e que só com isso poderia fazer uma avaliação concreta.

Segundo ele, seria “parte sofismática (sic)” de um “raciocínio ativista” falar em desgaste com o novo governo para esse turista pois a imagem do país já vinha piorando antes devido a questões como a economia e os escândalos de corrupção.

“A imagem do Brasil para o público LGBT não é só isso. Ele é um público sofisticado com 89% de ensino superior completo. Pessoas de um nível altíssimo de consciência pela posição que tem na sociedade, pelo que conquistaram, pelo padrão de vida, intelectual, pelo tempo de leitura”, disse o secretário.

O dado de ensino superior vem da uma pesquisa realizada pelo Associação Brasileira de Turismo LGBT e pela revista ViaG, que organizou o evento.

O mesmo estudo mostra que o Brasil é o país com maior potencial para crescer com o turismo LGBT na América Latina. O setor registrou alta de cerca de 11% no Brasil em 2017, contra 3,5% de alta no turismo de modo geral.

Durante um debate no evento, Lummertz disse que o turismo LGBT está no plano Nacional de Turismo, elaborado na gestão do ex-ministro do Turismo, Marx Beltrão, e assinado no governo de Michel Temer. No entanto, esse ponto foi retirado há cerca de três semanas.

As estratégias previam “sensibilizar o setor para a inclusão das pessoas idosas e do público LGBT no turismo”. Agora, elas se restringem ao público idoso.

O presidente já afirmou em entrevistas que é “homofóbico, com muito orgulho” e que preferia ter um filho morto a um filho homossexual, entre outras declarações ao longo da sua carreira política.

“Sempre há preocupação quando líderes no mundo dizem algo contra a comunidade, mas muitas vezes isso a deixa mais forte e as pessoas no mundo querem apoiar os negócios LGBT aqui porque sabemos que é desafiador assim como é nos EUA, Itália, etc. Mas não afeta necessariamente os negócios”, disse hoje John Tanzella, presidente da Associação Internacional de Turismo LGBT (IGLTA), para EXAME.

Uma pesquisa com mil adultos britânicos que se identificam como LGBT, realizada em setembro de 2016 pela operadora Virgin Holidays, descobriu que dois em cada três se recusam a visitar locais com atitudes hostis à comunidade.