Três semanas após “dia do fogo”, Bolsonaro sobrevoará Amazônia

Os governadores da região pressionam o presidente por ações mais concretas contra as queimadas e pela retomada do fundo Amazônia

Cerca de três semanas após fazendeiros de Altamira terem, conforme relatos, combinado o “dia do fogo” e incendiado as margens da BR-163, rodovia que liga o Pará ao Mato Grosso, a região que se tornou a número um em focos de incêndio receberá a visita do presidente Jair Bolsonaro nesta sexta-feira 30. Além de Altamira, o presidente também irá sobrevoar zonas da floresta amazônica em Porto Velho (Rondônia).

Os governadores da região pressionam o presidente por ações mais concretas contra as queimadas e pela retomada do fundo Amazônia, financiado com recursos de Alemanha e Noruega. Na quarta-feira Bolsonaro assinou um decreto proibindo novas queimadas nos próximos 60 dias. Como por si só a medida não garante o fim da destruição da floresta, ontem, o ministro da Casa Civil Onyx Lorenzoni apresentou um consolidado das demandas dos governadores da região amazônica ao presidente. 

A ideia é que a partir de agora o presidente discuta cada um dos projetos com os governadores de cada região, o que pode acontecer ainda na visita de hoje. As medidas solicitadas incluem questões ligadas à regularização fundiária, à regulamentação de atividades extrativistas em terras indígenas.

Em um encontro com os governadores da Amazônia legal na última terça-feira, Bolsonaro  desviou do tema central e aproveitou a oportunidade para criticar demarcações de terras indígenas e defender a exploração mineral da floresta. O que os líderes estaduais esperavam receber, no entanto, era um apoio mais consolidado por parte da presidência e, principalmente, a retomada do fundo amazônia, projeto de cooperação internacional para preservar a floresta que possui 3,4 bilhões de reais em recursos mas que vem sendo abandonado por países como Noruega e Alemanha por desavenças com a pauta ambiental do governo. 

Em evento realizado ontem, o vice-presidente, Hamilton Mourão, reconheceu que o governo errou no planejamento contra as queimadas, que tradicionalmente acontecem nesta época do ano. O vice, segundo o Valor, ainda culpou madeireiros, grileiros e garimpeiros pelas queimadas — e não ONGs ambientais, como fez o presidente. O primeiro passo para dirimir um problema, claro, é fazer o diagnóstico correto. A ver se o sobrevoo de Bolsonaro ajuda.