Torcedores da Copa vão a festa na principal favela do Rio

Torcedores dos EUA e da Argentina subiram até Vidigal para assistirem ao jogo da seleção contra o México

Rio de Janeiro – O cenário não podia ser melhor: uma festa brasileira no topo de um morro com vista das famosas praias do Rio de Janeiro em um dia ensolarado.

Ontem, torcedores de países como os EUA e a Argentina subiram até Vidigal, uma favela do lado dos distritos mais caros do Rio, para assistirem à Seleção brasileira enfrentar o México na primeira fase da Copa do Mundo.

Em meio a cartazes de apoio ao Brasil, vivas e caipirinhas, locais e turistas se reuniram na frente de telas de TV e acompanharam o jogo no estádio de Fortaleza, a 2560 quilômetros.

A cena era impensável há uns poucos anos.

Em anos recentes, Vidigal, aninhada entre os luxuosos bairros de Leblon e São Conrado e com vistas da praia de Ipanema e das ilhas Cagarras, testemunhou a alta do valor das propriedades a o crescimento da sua popularidade entre os turistas à medida que o Rio melhorou a segurança.

Destacamentos policiais estabelecidos em áreas controladas por gangues de traficantes no passado estão tornando a vizinhança mais segura.

“As pessoas são amigáveis conosco, elas gostam de turistas e se você se perder elas sempre ajudam”, disse Laura Méndez, mexicana de 23 anos que estuda no Rio e veio até um albergue de Vidigal para assistir ao jogo junto com uma dúzia de compatriotas. “Há pessoas reais aqui em cima”.

Uma avalanche de turistas locais e estrangeiros que cantam e agitam bandeiras nas 12 cidades sede dos jogos tem calado os protestos contra o evento de US$ 11 bilhões.

Embora uma greve dos trabalhadores do metrô de São Paulo tenha afetado o trânsito nos dias prévios ao jogo de abertura em 12 de junho, desde que a bola começou a rolar a agitação tem se reduzido. Nesta semana, o Ministério do Turismo disse que espera cumprir sua meta de 600.000 turistas estrangeiros durante o evento, de um mês de duração.

O Rio é a sede do icônico estádio Maracanã, que sediará a final da Copa em 13 de julho, e do Flamengo, o time de futebol mais popular do Brasil.

A cidade tem testemunhado somente protestos pequenos com centenas de pessoas cada um nos últimos sete dias, uma sombra das centenas de milhares de pessoas que saíram às ruas em junho do ano passado para protestar contra a inflação, a corrupção e a má qualidade dos serviços públicos.

Ontem, crianças receberam permissão para saírem mais cedo da escola e a cidade ficou virtualmente paralisada durante os 90 minutos do jogo, no qual Neymar e sua equipe empataram sem gols contra o México no estádio Castelão.

Na praia de Copacabana no Rio, uma multidão lotou o Fan Fest, um evento de projeção patrocinado pela FIFA, que alcançou sua capacidade máxima de 20.000 pessoas antes do começo do jogo.