Tiroteio em escola de Suzano: tudo o que se sabe até agora

Dois jovens, um de 17 e outro de 25 anos, invadiram uma escola estadual na cidade da grande São Paulo e vitimaram, ao menos, oito pessoas

São Paulo — Na manhã de quarta-feira (13), a Escola Estadual Professor Raul Brasil, em Suzano, na Grande São Paulo, foi palco de um massacre, que deixou, até agora, ao menos dez mortos.

Segundo a Polícia Militar, um adolescente e um homem encapuzados atiraram em diversas pessoas dentro da instituição. A perícia concluiu que um dos assassinos atirou no comparsa e depois cometeu suicídio. Os dois eram ex-alunos do colégio.

Nesta quinta-feira (14), a cidade, com mais de 1,3 milhão de habitantes, se prepara para o luto oficial de três dias e o velório coletivo na Arena Suzano, no Parque Max Feffer.

O que aconteceu?

Por volta de 9h40 da manhã da quarta-feira, uma dupla invadiu as dependências da escola e abriu fogo contra alunos que estavam no local. Depois, os atiradores se suicidaram.

A polícia foi acionada e chegou em oito minutos. De acordo com o secretário de Segurança Pública do Estado de São Paulo, João Camilo Pires, a força tática estava a dez metros dos assassinos quando eles se suicidaram.

Os dois atiradores estavam prestes a entrar em uma sala com dezenas de alunos. “Ao final, no fundo do colégio, os agressores se depararam com a força tática da Polícia Militar. Eles estavam prestes a entrar em uma sala com dezenas de alunos. Foi quando cometeram o suicídio”, afirmou.

Quem são os atiradores?

A polícia identificou que os dois atiradores são Guilherme Taucci Monteiro, de 17 anos, que estava junto com Henrique de Castro, de 25 anos. 

Ambos são antigos alunos da escola. O mais novo, segundo o secretário, estudou no colégio até o ano passado.

Como aconteceu?

Para a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, o crime foi meticulosamente organizado. Os jovens atacaram, primeiro, Jorge Antônio Moraes, tio de um deles, em uma locadora.

Depois, roubaram um carro e saíram em disparada na direção da escola. No colégio, eles entraram e partiram para os ataques.

Os dois aparentemente foram recebidos por Marilena Ferreira Vieira Umezo, coordenadora pedagógica, afirmou o secretário de Segurança.

Não se sabe se os assassinos chegaram à escola encapuzados. Eles atiraram na coordenadora, que morreu na hora. Em seguida, o alvo foi uma funcionária, que também veio a óbito.

A ação foi orquestrada na hora do intervalo dos alunos do ensino médio, os únicos que têm aula pela manhã. No pátio, os atiradores abriram fogo. Quatro adolescentes foram mortos e diversos feridos.

Depois, eles seguem para o centro de línguas que funciona na escola, em outro andar. Lá, a professora e os alunos se trancaram em uma sala. Do lado de fora, os dois se suicidam.

Em entrevista coletiva na tarde desta quarta-feira (13), o secretário de Segurança relatou que a força tática da Polícia Militar estava a dez metros dos assassinos, quando eles se suicidaram.

Quem são as vítimas?

Até agora, há dez vítimas fatais.

Marilena Ferreira Vieira Umezo, coordenadora pedagógica

Eliana Regina de Oliveira Xavier, funcionária da escola

Pablo Henrique Rodrigues, aluno

Cleiton Antonio Ribeiro, aluno

Caio Oliveira, aluno

Samuel Melquíades Silva de Oliveira, aluno

Douglas Murilo Celestino, aluno

Jorge Antonio de Moraes, comerciante, morto antes da entrada dos assassinos na escola; ele é tio de Guilherme, um dos assassinos.

Quantas pessoas foram feridas?

Na última atualização da Polícia Militar, há onze feridos, alguns em estado grave.

Um dos feridos, um aluno de 15 anos, foi transferido para a Unidade de Terapia Intensiva do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.

Austelino Mattos, médico que atendeu algumas da vítimas, relatou à Globo News, que um dos adolescentes foi atingido por um golpe de machado. Há outros com ferimentos à bala na cabeça e no tórax.

Quais foram as armas usadas?

O comandante-geral da Polícia Militar, Marcelo Salles, informou que os dois homens usaram um revólver calibre 38 e uma arma medieval semelhante a um arco e flecha.

O disse o governador?

João Doria desmarcou sua agenda de compromissos para ir até Suzano. De lá, ele prestou solidariedade às famílias das vítimas e decretou três dias de luto no estado de São Paulo.

Ele disse lamentar que um fato como este “ocorra em nosso Estado e nosso país” e classificou o ataque como a cena “mais triste que assisti em toda minha vida”. “Estou chocado com o que ocorreu”, comentou.

O que o ataque desencadeou?

O massacre dividiu a opinião a respeito da política de flexibilização da posse e do porte de armas.

Em janeiro, o presidente Jair Bolsonaro assinou um decreto que altera regras para facilitar a posse de armas de fogo – a possibilidade de o cidadão guardar o equipamento na residência ou no estabelecimento comercial de que seja dono.

É a primeira medida do presidente em relação ao compromisso de campanha de armar a população, mas ele ainda tentará futuramente flexibilizar o próprio porte de armas.

O caso divide opiniões sobre como esse capítulo de sangue pode influenciar na política de flexibilização do porte e posse de armas. Para alguns advogados, professores de Direito e especialistas em gestão pública e segurança, a lição que fica é que “é um passo perigoso”.

Para outros, chacinas como a de Suzano são “fatos isolados” sem qualquer relação causal com o fato de a legislação brasileira ser mais ou menos permissiva.

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