Teve caixa 2; Dilma nega…

150 milhões de reais

Em depoimento ao Tribunal Superior Eleitoral, o ex-presidente da Odebrecht Marcelo Odebrecht afirma ter pagado 150 milhões de reais à chapa Dilma-Temer nas eleições de 2014. O dinheiro se dividiu em uma parte como pagamento no exterior ao marqueteiro João Santana via caixa 2 e uma parcela de 50 milhões de reais como acerto com o ex-ministro Guido Mantega pela aprovação da Medida Provisória 470/2009 (MP do Refis), favorável ao grupo. A ex-presidente Dilma Rousseff, segundo o empreiteiro, não participou de conversas sobre os valores, mas tinha ciência das movimentações. Marcelo confirmou reunião com o atual presidente Michel Temer para tratar de doações ao PMDB, mas afirma que não foram combinados valores. Disse que as cifras foram combinadas entre o ex-diretor de relações institucionais da Odebrecht Cláudio Melo Filho e o atual ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha.

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“Insulto à honestidade”

A ex-presidente Dilma Rousseff respondeu nesta quinta-feira, por nota, às acusações de Marcelo Odebrecht. Classificou como “mentirosa” a informação divulgada na imprensa de que teria pedido dinheiro ao empresário ou autorizado pagamentos a “prestadores de serviços fora do país” durante as campanhas de 2010 e 2014. A petista também nega que tenha designado o ex-ministro Guido Mantega para tal função. “Nas duas eleições, foram designados tesoureiros, de acordo com a legislação”, diz o texto. Dilma finaliza afirmando que todas as doações às suas campanhas foram legais e aprovadas pelo Tribunal Superior Eleitoral.

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Aécio ressurge

Ainda de acordo com Marcelo Odebrecht, a empresa realizou doações semelhantes a Aécio Neves (PSDB) e Marina Silva (ex-PSB) durante a última eleição para a Presidência. O senador tucano pediu 15 milhões de reais ao fim do primeiro turno e foi negado pelo empreiteiro. Aécio insistiu que o montante fosse distribuído, então, a aliados políticos. O repasse seria discutido entre Sérgio Neves, da empreiteira em Minas, e o empresário Oswaldo Borges da Costa, apontado como operador de Aécio. O pagamento não se concretizou, segundo Odebrecht. Marina teria recebido repasse menor, mas o processo não foi detalhado no depoimento. A assessoria do PSDB diz que as doações feitas pela Odebrecht foram declaradas à Justiça Eleitoral.

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PSDB intimado

Na esteira de doações eleitorais, o TSE intimou o PSDB a explicar as doações feitas pela Andrade Gutierrez à campanha de Aécio Neves (PSDB) em 2014. A ação de questionamento foi protocolada pelo PT em resposta à ação contra a chapa Dilma-Temer, baseada em depoimento do ex-presidente da empreiteira Otávio Azevedo, que afirmou ter repassado 19 milhões de reais a Aécio, e não os 12,6 milhões registrados no tribunal. Segundo o PT, a contradição é “fato de extrema gravidade que pode, em tese, determinar que as contas de Aécio sejam julgadas irregulares”. Prazos ainda não foram estabelecidos para a resposta.

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Desconhecimento

Denunciado pela Procuradoria-Geral da República por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, o ex-ministro do Turismo Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) afirmou à Justiça Federal do Distrito Federal que desconhece a origem de 832.975,98 reais que foram depositados em uma conta que lhe pertence na Suíça. Os depósitos foram realizados entre outubro e dezembro de 2011. Segundo a PGR, trata-se de suborno da Carioca Engenharia para liberação de recursos públicos.

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Mais condenações na Lava-Jato

O juiz federal Sergio Moro condenou nesta quinta-feira o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares a cinco anos de prisão pelo crime de lavagem de dinheiro. Delúbio é acusado de estar por trás, juntamente com o empresário José Carlos Bumlai, de um empréstimo de 12 milhões de reais do banco Schain ao PT em troca de obtenção de contrato público bilionário com a Petrobras. Do montante, 6 milhões foram enviados ao empresário Ronan Maria Pinto, para a compra de seu silêncio sobre o caso Celso Daniel, prefeito de Santo André morto em 2002. Maria Pinto também foi condenado na ação, juntamente com Enivaldo Quadrado, Luiz Carlos Casante e o empresário Natalino Bertin.

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Nota do Milhão

O prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), extinguiu o pagamento de créditos por meio da Nota Fiscal Paulistana e iniciou um programa de sorteios mensais de 1 milhão de reais àqueles que colocam o “CPF na nota”. Segundo o tucano, o programa “Sua Nota Vale 1 Milhão” será uma maneira de diminuir a sonegação de impostos sobre serviços ao mesmo tempo que economiza 200 milhões de reais com a mudança. Antes, os créditos eram sacados ou descontados do IPTU.