Termina interrogatório de ex-capitão da Rota sobre Carandiru

Os trabalhos do júri neste terceiro dia do julgamento do massacre do Carandiru deverão ser retomados após às 16h30

São Paulo – Depois de mais de três horas, foi encerrado o interrogatório do coronel reformado Valter Mendonça, que à época do massacre do Carandiru era capitão da Rota.

O juiz Rodrigo Tellini de Aguirre Camargo determinou intervalo de uma hora e meia. Assim, os trabalhos do júri neste terceiro dia do julgamento do massacre do Carandiru deverão ser retomados após às 16h30.

A expectativa é de que sejam interrogados ainda quatro dos 23 policiais militares presentes no Fórum Criminal da Barra Funda, na zona oeste de São Paulo, ao longo deste terceiro dia de júri.

Segundo o Tribunal de Justiça do Estado, a defesa ainda não informou o nome de todos os réus que prestarão depoimento, além do próprio capitão Valter Alves Mendonça.

Em seu depoimento, o capitão relembrou que a notícia da rebelião no Carandiru chegou a ele via rádio e que pediu a seus subordinados para aguardar ordens. Pouco tempo depois, foi chamado ao presídio pelo coronel Ubiratan Guimarães.

“O Secretário de Segurança (Pedro Franco) nos disse que, se fosse necessário entrar no Pavilhão 9, que estávamos autorizados”, contou Mendonça. Ele disse que, ao entrar no complexo, passou pelo pátio e viu corpos, um deles sem cabeça. Segundo o oficial, seu grupo era responsável por entrar no segundo andar do pavilhão. Mendonça contou que ouviu clarões e disparou tiros quando um sargento foi atingido.

No final de seu interrogatório, ao falar sobre sua carreira e sua família, o coronel chorou.