Temer: foco na PEC do teto

Começam, nesta quinta-feira, as discussões do primeiro turno da PEC 55 (antiga PEC 241), que prevê um teto para os gastos públicos e congela o orçamento para os próximos 20 anos, impedindo crescimentos superiores ao da inflação.

Na noite de ontem, o presidente recebeu senadores para um jantar no Palácio da Alvorada, assim como fez com os deputados, num evento que custou 50.000 reais. Além disso, Temer está articulando conversas individuais com senadores de oposição, para tentar reverter alguns votos. Na quarta-feira, conversou com Elmano Férrer (PTB), Otto Alencar (PSD) e Kátia Abreu (PMDB).

As negociações acontecem num momento delicado. No dia 25 de outubro, o empresário Marcelo Odebrecht e outros 70 nomes ligados à empreiteira fecharam acordo de delação premiada com procuradores da Operação Lava-Jato, em que se comprometem a revelar informações sobre Temer e ministros como Eliseu Padilha (PMDB), da Casa Civil, José Serra (PSDB), de Relações Exteriores e Geddel Vieira Lima (PMDB), da Secretaria de Governo. Os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff também estão na mira.

 Também nesta quarta-feira, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, confirmou que o governo estava mais otimista do que deveria em relação ao crescimento do PIB para 2016 e 2017. Quando o governo apresentou a lei orçamentária de 2017, considerava um crescimento de 1,6% — analistas do próprio governo que, com a nova previsão, podem faltar até 7 bilhões de reais para cumprir o orçamento.

Para que a PEC seja aprovada, são necessários 49 dos 81 votos, mas o governo quer garantir pelo menos 65, para chegar com folga ao segundo turno e dar mais legitimidade ao projeto. Na Câmara dos Deputados, a PEC perdeu força de uma votação para outra: no primeiro turno, 366 apoiaram a proposta; no segundo, foram 359. A oposição defende que seja aberto um referendo, para que a população possa escolher como quer que seja manejado o orçamento. Em consulta popular no site do Senado, 94% dos mais de 350.000 cidadãos que se posicionaram estão contra a PEC. Para o governo, uma marcha atrás está fora de questão.