Temer ou Bolsonaro: quem terá o trunfo de extraditar Battisti?

Prisão do italiano, pedida na noite de ontem pelo ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal, pode acontecer a qualquer momento

A Polícia Federal pode prender a qualquer momento Cesare Battisti. Na noite de ontem, o ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal, determinou a prisão imediata do italiano, condenado em seu país à prisão perpétua por quatro assassinatos nos anos 70, quando integrava o grupo Proletariados Armados pelo Comunismo.

A decisão de Fux faz referência a outro crime, cometido no Brasil. Battisti foi preso em Corumbá (MS) em outubro do ano passado com dinheiro não declarado ao tentar cruzar a fronteira com 6 mil dólares e mil euros — a prisão foi depois substituída por medidas cautelares.

O italiano tem um longo histórico de vaivém com a Justiça e com governos brasileiros. Ele passou 30 anos como fugitivo em países como França e México e chegou ao Brasil em 2004, onde foi preso três anos depois. Em 2009, o Supremo considerou procedente o pedido de extradição feito pela Itália, mas Lula negou a extradição no último dia de seu mandato, em 2010. Em 2009, o Ministério da Justiça tinha considerado Battisti oficialmente um refugiado.

Recentemente, a extradição voltou a ser cogitada. Ano passado, a Itália pediu que o governo Michel Temer revise a decisão de Lula. Em novembro, após a divulgação de notícias sobre a possibilidade de se confirmar a extradição no futuro governo Bolsonaro, Battisti reafirmou que confia nas instituições democráticas do Brasil e negou que tenha intenção de fugir do litoral de São Paulo, onde vive. Em novembro, a Procuradoria-geral da República havia pedido sua prisão para evitar o risco de fuga e assegurar a extradição.

A palavra final sobre a extradição será dada pelo presidente, seja ele Michel Temer ou Jair Bolsonaro. Bolsonaro já teria informado sua decisão pela extradição à diplomacia italiana durante encontro com o embaixador no início de novembro. Seria um trunfo para reforçar sua política externa no início de mandato. Mas seria também um ponto marcante para Temer na reta final de seu mandato — o presidente tem três semanas para tentar recuperar a imagem de um governo que fez reformas importantes, mas que deve entrar para a história como o mais impopular desde a redemocratização.