Temer na Índia: muita coisa a tratar

O presidente Michel Temer embarca na noite desta quinta-feira para mais uma viagem internacional. Ele irá participar, no sábado, em Goa, na Índia, do 8º Encontro de Cúpula dos BRICS, que reúne Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. Lá, os comandantes desses países devem discutir pautas e assinar acordos nas áreas de cooperação alfandegária, em pesquisa agrícola, em cooperação tecnológica na área de energia limpa. Outro ponto importante da reunião será a discussão em torno do banco de fomento do bloco, que terá 50 bilhões de dólares para financiar iniciativas na área da infraestrutura, e do Arranjo Contingente de Reservas, que terá 100 bilhões para aportar em um dos membros em caso de crise.

O presidente brasileiro também terá encontros bilaterais, como com o primeiro-ministro indiano, Nerendra Modi, e com empresários do país. “A ideia é reforçar o comércio intra-BRICS. China e Índia estão planejando investir muito mais na América Latina e ambas nações entendem que o Brasil deve ser a porta de entrada para a América do Sul, haja vista a sua posição econômica na região”, diz Ana Flávia Barros-Platiau, coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Relações Internacionais da Universidade de Brasília e especialista em BRICS.

O encontro também pode ser uma oportunidade para que o país mude sua atuação no bloco. Embora Temer não deva modificar a postura passiva de Dilma Rousseff, que mais ouvia do que propunha, pode ser hora de buscar melhores acordos para o país. “O Brasil precisa reagir a seu isolamento econômico, pois ficamos fora dos mega-acordos, como o Transpacífico. O Mercosul não funciona bem e não temos parceiros econômicos interessantes para o futuro. O mainstream da economia já comprovou há algum tempo que o comércio bilateral com a China seria prejudicial à nossa industrialização”, diz Barros-Platiau.

A cúpula do BRICS acontece em um momento econômico muito diferente de quando o bloco foi criado, no começo da década passada. Os tempos de pujança ficaram para trás e hoje dois dos cinco países – Brasil e Rússia – apresentam os piores desempenhos econômicos do mundo. Algumas pequenas crises internas também atingem o bloco. O Brasil, por exemplo, discorda da política da Índia quanto às armas nucleares, conseguidas para mostrar poder frente aos eternos problemas na fronteira com o Paquistão. Os paquistaneses têm apoio da China na questão, o que deixa os indianos com os dois pés atrás quanto a postura de Pequim.

No dia 18, Temer segue para o Japão, na primeira visita de estado ao país asiático em 11 anos. Temer será recebido pelo primeiro-ministro Shinzo Abe e pelo imperador Akihito. Os encontros no Japão serão parecidos com os da Índia. Serão apresentadas oportunidades do Programa de Parcerias de Investimentos para empresários na tentativa de trazer investidores para o país. Temer ficará exatamente uma semana fora do país. E será uma semana bem agitada.