Temer e os ecos do Rio

Embora fosse dada como certa, a prisão do ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral (PMDB-RJ) embaralhou novamente o jogo político no país. No Rio, um dos primeiros afetados é o governador, Luiz Fernando Pezão (PMDB-RJ). Pezão foi vice de Cabral e vem tentando passar na mão pesada um pacote de arroxo nas contas do estado.

Pessoas próximas ao governo do Rio afirmam que o impeachment de Pezão estava sendo arquitetado pelo presidente da Assembleia Legislativa, Jorge Picciani (PMDB-RJ). A paz entre os dois foi selada há menos de um mês pelo próprio Cabral. Ontem, o deputado voltou a criticar o governo estadual e a prisão de Cabral. Dificilmente Pezão vai convencer a população que a culpa da crise não é do seu antecessor e do antigo governador Anthony Garotinho, também preso, e também cria do PMDB fluminense.

No cenário nacional, a prisão ecoa na presidência. Tudo indica que a Lava-Jato, a partir de agora, vai voltar seus olhos para o PMDB e outros partidos que já haviam sido citados. O principal temor de Michel Temer é que operação complique o ambiente político e as votações importantes que devem ocorrer até o final do ano e no primeiro semestre de 2017.

Outro receio é que os protestos contra o pacote de cortes no Rio se espalhem para outros estados. Minas Gerais – que tem um governador também citado em esquemas de corrupção – e Rio Grande do Sul devem ser os próximos da fila. Os dois já estão parcelando o salário dos servidores há meses. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), declarou na quarta-feira que deve votar projetos que ajudem a aliviar a crise dos estados em breve. É melhor pedir, desde já, um reforço na segurança da Casa.