Temer diz que fica. Fica mesmo?

A quinta-feira 18 de maio de 2017 já entrou para a história como um dos dias mais conturbados da política brasileira. Começou pouco depois das 6 horas, com uma nova operação da Polícia Federal, desta vez mirando o senador Aécio Neves (PSDB-MG), sua irmã Andrea Neves e o deputado Rocha Loures (PMDB-PR). Andrea foi presa e Aécio e Loures foram afastados do cargo pelo Supremo Tribunal Federal. Aécio ainda se licenciou da presidência do PSDB.

Ao longo do dia, os bastidores fervilharam em Brasília, com ministros e partidos ameaçando deixar o governo — um deles de fato o fez. A oposição pediu eleições diretas. O Supremo abriu inquérito para investigar a acusação de que Temer incentivou propina para calar Eduardo Cunha. A indefinição era total, o que fez a bolsa despencar mais de 8%.

Nessa toada, a grande dúvida do dia foi respondida por volta das 16 horas. O presidente Michel Temer, mesmo sem ter os detalhes das gravações, afirmou que não vai renunciar. “Não renunciarei. Repito, não renunciarei! Sei o que fiz e sei da correção dos meus atos. Exijo investigação plena e muito rápida, para os esclarecimentos ao povo brasileiro”, disse Temer, procurando demonstrar firmeza e segurança num momento em que crescem as especulações de que ele vai entregar o posto.

Em discurso que durou cerca de 5 minutos, o presidente admitiu que se encontrou com o empresário da JBS no Palácio do Jaburu, mas negou que tivesse tratado com ele sobre pagamentos para calar Cunha. E mencionou o avanço recente da economia para se blindar no cargo. “Meu governo viveu nesta semana seu melhor e seu pior momento”, afirmou, relembrando os dados de queda da inflação, retorno do crescimento e geração de empregos divulgados na segunda, na terça e na quarta-feira. Mas, segundo ele, tudo ficou em segundo plano após a revelação de conversas gravadas “clandestinamente”.

Temer foi enfático ao dizer que provará sua inocência no Supremo. Seu maior risco, segundo analistas, porém, está no Tribunal Superior Eleitoral, que julgará a cassação da chapa Dilma-Temer a partir do dia 6. O clima de instabilidade pode fazer o tribunal pender para o lado da cassação. Em outra frente, os pedidos de impeachment continuam chegando à mesa da Câmara — o mais recente foi protocolado no fim da tarde por partidos da oposição. Temer diz que fica, mas essa decisão não depende dele.