Temer: a Lava-Jato como aliada

Dois acontecimentos de hoje devem conferir uma nova dinâmica ao Congresso. O presidente do Senado Renan Calheiros marcou para esta quarta-feira a resposta sobre a abertura do processo de impeachment contra o procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Por outro lado, o Supremo Tribunal Federal decide se aceita a segunda denúncia contra o deputado Eduardo Cunha, dessa vez pelas contas que ele possui na Suíça.

Especialistas ouvidos por EXAME Hoje apostam que Calheiros deve engavetar o impeachment devido aos desdobramentos institucionais. O aceite colocaria o PMDB do Senado, atingido até a medula pelas últimas denúncias da Lava-Jato, em rota de colisão com o Ministério Público Federal. Mas o simples fato de o presidente do Senado demonstrar que poderia aceitar o pedido mostra que o Congresso começa a defender seus interesses de forma mais ativa.

Com Cunha, a história é diferente. O provável é que o Supremo aceite a denúncia da procuradoria e que o deputado se torne réu pela segunda vez. Como o assunto – as contas na Suíça – é o mesmo que pode levar à cassação na Câmara, seus argumentos de salvação ficam ainda mais enfraquecidos. O maior pesadelo de Cunha – perder o mandato e cair nas mãos do juiz Sergio Moro em Curitiba, está cada dia mais próximo.

O governo Temer quer aproveitar a deixa e trabalha para fazer com que o “Centrão” e o DEM e o PSDB se unam na disputa pela presidência da Câmara depois que Cunha cair. “Paradoxalmente, conforme a operação se aproxima do Congresso, a base aliada de Temer pode se unir, tanto para se proteger, como para ajudar o governo”, diz Christopher Garman, diretor da consultoria política Eurasia. Seria um improvável efeito benéfico da Lava-Jato para o interino.