Tarso critica relações entre Judiciário e mídia

Governador criticou o que seria o excesso de entrevistas dada por ministros dos tribunais superiores

Porto Alegre – O governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro (PT), criticou o que seria o excesso de entrevistas à mídia dada por ministros dos tribunais superiores enquanto falava sobre a espetacularização de ações policiais e do Judiciário, durante evento que tratou de corrupção, nesta quarta-feira, em Porto Alegre.

“Quanto aos nossos tribunais superiores, acho que temos que dar uma observada no mundo e ver quantas entrevistas o presidente da Suprema Corte norte-americana, francesa, belga, espanhola deram por ano, aí vamos ver quem sabe um protagonismo excessivo que às vezes corresponde a determinados fins políticos não abertos, não transparentes, que, portanto, não colaboram para o aprimoramento das funções públicas do Estado”, prosseguiu, ao final da palestra, em entrevista coletiva. Questionado pelos repórteres, Tarso ressalvou que seu comentário não era dirigido a algum ministro especificamente.

Durante a palestra aos participantes dos “Diálogos CDES (Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social do Estado)”, Tarso citou a “espetacularização” como um de quatro fatores que contribuem para a corrupção e criticou integrantes da polícia, Ministério Público e Judiciário que passam informações privilegiadas a determinados órgãos da imprensa e, em troca, ganham notoriedade e acabam se sobressaindo dentro de suas corporações, mesmo que não sejam os principais agentes das investigações. E sugeriu uma “postura de reserva, de preservação das instituições”.

O governador também relacionou como fatores que acabam abrindo espaços para a corrupção o sistema atual de financiamento das campanhas políticas, a falta de controle social sobre as políticas públicas e a separação que se faz da ética pública e privada, quando “a ética pública decorre da ética da sociedade civil”.

Também participante do evento, o ministro da Justiça José Eduardo Cardozo disse que, em geral, a opinião pública trata da corrupção de uma maneira superficial e maniqueísta, voltada somente ao agente público, quando há causas mais profundas, sociais e históricas, a serem discutidas. Ressaltou, no entanto, que é fundamental aplicar o rigor da lei para todos os envolvidos em atos de corrupção.

Espionagem norte-americana

Em entrevista, Cardozo admitiu que as informações preliminares dadas pelo governo norte-americano sobre espionagem de cidadãos brasileiros “ainda não satisfazem por inteiro” e disse que o grupo técnico formado por representantes de diversos órgãos federais para analisar o caso segue trabalhando na elaboração do diagnóstico preliminar. “Acho que em curto espaço de tempo esse grupo irá a Washington questionar e obter os esclarecimentos necessários para uma avaliação do que efetivamente ocorreu”, previu.