Tabata Amaral se pronuncia sobre pagamento de R$ 23 mil ao namorado

Na semana passada, EXAME revelou que, durante a campanha de 2018, companheiro da deputada recebeu quantia por 50 dias de serviço

São Paulo — A deputada federal Tabata Amaral se pronunciou na manhã desta quarta-feira (24) sobre a contratação de seu namorado, o colombiano Daniel Alejandro Martínez, durante as eleições de 2018.

No último sábado (20), EXAME revelou que a parlamentar pagou a Daniel 23.050 de reais, do fundo eleitoral, pela prestação de serviços de análise estratégica.

Na ocasião, a deputada não quis conceder entrevista para explicar o trabalho realizado pelo colombiano. Via assessoria de imprensa, ela se limitou a dizer que “cumpriu as leis eleitorais na contratação de seus serviços e pessoas”.

“Daniel disse não a diversas oportunidades de emprego e postergou projetos profissionais, por vários meses, para poder trabalhar em minha campanha. Quem já fez campanha saindo do zero sabe que é muito difícil encontrar pessoas que queiram interromper suas carreiras por meses por algo tão pouco palpável e possível, e comigo não foi diferente. Quando decidi me candidatar, no início, pude contar com menos de 10 pessoas, e o Daniel foi uma delas”, afirmou em seu perfil oficial no Facebook.

Ela acrescentou, ainda, que “ele fez pesquisas, conversou com especialistas de educação e pobreza e teve um papel muito importante na construção de um documento de dezenas de páginas com minha visão e propostas para diversas áreas, de educação a moradia”.

Leia o posicionamento na íntegra:

Formado em ciências e filosofia com bolsa integral pela Universidade Harvard, Martínez conquistou diversos prêmios durante a sua graduação. É bolsista do programa “Michael C. Rockefeller Fellowship”, um dos mais disputados da universidade americana e, atualmente, está estudando questões ecológicas e econômicas da Amazônia.

Empregar o namorado durante a campanha não pode ser considerado ilegal, uma vez que, à época, a hoje parlamentar não havia assumido o cargo público.

Histórico

Recentemente, a deputada foi afastada do PDT por até 60 dias por seu voto a favor da reforma da Previdência, contrariando o “fechamento de questão” do partido.

Devido à sua posição contrária, sofreu diversos ataques da direção e simpatizantes do partido, especialmente do ex-candidato à presidência Ciro Gomes. Em entrevistas, o ex-governador e ex-ministro afirmou que Tabata fazia “dupla militância” e que “ela deveria ter a dignidade de sair do partido”.

EXAME apurou que o clima para a deputada dentro do PDT está longe de ser positivo. A coluna Radar, da revista Veja, afirmou que o presidente do partido, Carlos Lupi, “quer ver a deputada sangrar”. A expulsão, no entanto, está fora de cogitação para o partido não perder o direito de exigir o mandato dela na Justiça Eleitoral.

De fato, Tabata está sendo mais pressionada do que os outros deputados que contrariaram a posição do partido. Da bancada de 27 congressistas, além dela, sete votaram a favor da reforma. As críticas, no entanto, estão sendo direcionadas mais para Tabata.