Sequestrador de Olivetto chega ao Chile após ser extraditado do Brasil

Mauricio Hernández foi detido há 17 anos pelo sequestro do publicitário brasileiro Washington Olivetto

O ex-guerrilheiro Mauricio Hernández Norambuena, líder de uma das principais organizações que enfrentaram o ex-ditador Augusto Pinochet e detido há 17 anos pelo sequestro do publicitário brasileiro Washington Olivetto, chegou na madrugada desta terça-feira ao Chile extraditado do Brasil.

Hernández foi condenado no Chile como autor do assassinato em 1991 do senador ultraconservador Jaime Guzmán, um dos ideólogos da ditadura de Pinochet (1973-1990), mas escapou da prisão de Santiago em um helicóptero.

Depois de passar por Cuba, o ex-guerrilheiro chileno foi detido em 2002 no Brasil acusado de sequestrar o publicitário Washington Olivetto, crime pelo qual foi condenado a 30 anos de prisão.

O Chile havia solicitado em 2008 ao Brasil a extradição do ex-guerrilheiro, que foi concedida pela Justiça brasileira, que pediu que o país de origem cumpra a pena máxima prevista no Brasil, de 30 anos.

O ex-guerrilheiro de 61 anos chegou ao Chile em um voo da Força Aérea chilena. Ele foi imediatamente transferido para a prisão de segurança máxima de Santiago, confirmou o juiz especial Mario Carroza.

“Ele chegou bem, conversamos com ele. Só quer descansar”, disse o juiz.

Um grupo de pessoas aguardava o retorno de Hernández Norambuena à prisão chilena com cartazes dizendo: “Brasil tortura, Chile cala”.

Em sua conta no Twitter, o presidente brasileiro Jair Bolsonaro indicou que “é nossa política cooperar com outros países e não dar abrigo a criminosos ou terroristas. Vencidos problemas burocráticos entre Brasil e Chile, hoje estamos extraditando Norambuena, sequestrador do publicitário Washington Olivetto em 2001”.

Uma fonte judicial no Brasil disse à AFP na segunda-feira que “houve um comprometimento formal do governo do Chile com a não execução de penas não previstas na Constituição brasileira. Dentre elas prisão perpétua e pena de morte”.

Conhecido como “Comandante Ramiro”, Hernández foi líder da Frente Patriótica Manuel Rodríguez (FPMR), grupo que aderiu à luta armada contra a ditadura de Pinochet.

Junto com Hernández outros três ex-guerrilheiros foram condenados pela morte de Guzmán e escaparam com ele da prisão. Ricardo Palma Salamanca recebeu asilo político na França no começo do ano, depois de viver por quase duas décadas na clandestinidade no México. Patricio Ortiz vive na Suíça, enquanto Raúl Escobar foi detido no México em 2017 por sua suposta participação em vários sequestros.