“Semáforos não funcionam, mas radares sim”, diz Chalita

Candidato pemedebista acredita que falta uma gestão que preste atenção em São Paulo

São Paulo – Enquanto São Paulo batia o recorde de congestionamento do ano nesta manhã, com 168 km de trânsito lento, o pré-candidato à Prefeitura pelo PMDB, Gabriel Chalita, ironizava a situação caótica da cidade em entrevista à Rádio Estadão ESPN: “São Paulo é assim: chove e o semáforo não funciona, mas os radares funcionam”. Para ele, isso é um sinal de que há tecnologia capaz de fazer todos os equipamentos funcionarem normalmente em dias como hoje, mas falta uma gestão que preste atenção em São Paulo. “A população quer ver um prefeito com foco na cidade”, disse.

O pré-candidato do PMDB disse que a razão de a cidade não funcionar pode ser explicada pela postura do próprio dirigente do executivo municipal, o prefeito Gilberto Kassab (PSD), que na avaliação de Chalita se empenhou nos últimos meses para a criação de um novo partido político, o PSD, em prejuízo da população. “O Kassab começou bem até, na primeira gestão, e depois teve como foco criar um partido. Ele esqueceu a cidade”, criticou. E depois completou: “Semana passada eu o vi Kassab duas vezes lá em Brasília, porque ele está preocupado com o tempo de televisão do partido dele. Um prefeito deveria agradecer a Deus e ao povo o privilégio de ter tido a votação que ele teve e cuidar da cidade”.

O pré-candidato criticou ainda o fato de a tecnologia não trabalhar a favor da cidade e defendeu a utilização de semáforos inteligentes na capital paulista. Na manhã desta sexta-feira chuvosa (27), o congestionamento voltou a ser manchete: na véspera de feriado e com a Marginal Tietê parcialmente interditada por conta da Fórmula Indy, os paulistanos contaram ainda com a falta de energia em mais de 30 semáforos só nos bairros do Morumbi, Ibirapuera, Jardins e na República do Líbano, segundo a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET).

Questionado sobre o projeto de criação do pedágio urbano como alternativa para melhorar os congestionamentos, Chalita foi firme: “eu vetaria uma lei dessas”. O pré-candidato disse que o cidadão já está onerado demais com taxas e tributos e que a cidade não oferece alternativas para que o paulistano deixe o carro em casa. “Se São Paulo fosse Londres, que tem todo um sistema de transporte público que funciona, aí é um exagero você pegar o carro.” A criação do pedágio urbano vem sendo defendida pelo pré-candidato do PCdoB à Prefeitura, Netinho de Paula.

Chaga

A principal bandeira da campanha de Gabriel Chalita, contudo, não é o trânsito. Ele afirmou que o problema que ‘mais dói na população’ paulistana é a saúde. “São Paulo tem problemas regionais, mas um problema comum da cidade é a saúde.


A gente sente que é uma chaga que tem essa administração de São Paulo, que não resolve e nem dá alternativas para resolver isso”, disse Chalita, criticando a gestão atual neste setor. “A gestão Kassab foi péssima. O que ele prometeu fazer, ele não fez. Campo Limpo (zona sul), por exemplo, que tem uma população de quase 600 mil habitantes, não tem um leito hospitalar público”, disse.

Chalita foi o quinto pré-candidato à Prefeitura de São Paulo a participar da série de entrevistas sobre eleições municipais, promovida pelo Grupo Estado.

A primeira entrevistada foi Soninha Francine, do PPS, (dia 17), seguida de Fernando Haddad, do PT, (dia 18), de Celso Russomanno, do PRB (dia 20) e de Netinho de Paula, do PCdoB, (dia 25). O pré-candidato do PSDB, José Serra, será o sexto a ser entrevistado e está confirmando a data de sua participação.